sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Ultraman vs. Hanuman: o encontro que gerou um grande problema para a Tsuburaya

Os seis Irmãos Ultra e a divindade Hanuman

Durante a história da Tsuburaya, uma das fases mais difíceis foi a parceria com o estúdio tailandês Chaiyo. Fruto de uma briga judicial que se arrastou por mais de dez anos e que teve seu fim em novembro passado. O símbolo desta parceria é de longe o constrangedor Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan (Os Seis Irmãos Ultra contra o Exército de Monstros) que reuniu os heróis da Nebulosa M-78 e a divindade Hanuman.

Lançado em 26 de novembro de 1974, o filme contou a história de Koh um garoto que foi brutalmente assassinado por ladrões que roubaram a cabeça da estátua de Buda. Comovida com a bravura do garoto, a Mãe de Ultra convoca os seis irmãos Zoffy, Ultraman, Ultraseven, Ultraman Jack, Ultraman Ace e Ultraman Taro para transportar o corpo de Koh para M-78 e ressuscitá-lo como hospedeiro do deus-macaco Hanuman. Uma figura lendária que existe apenas na mitologia hindu.

Enquanto isso, a base Donuma Seven está prestes a testar um lançamento de foguetes. Donuma Seven é comandado pelo Dr. Wisut e ele conta com sua assistente Marissa e a dupla de pilotos Sipuak e Sisuliya. Ambos são bem bobocas e tentam fazer graça com atitudes bastante infantiloides, além de vestir uniformes da ZAT, o esquadrão anti-monstros de Ultraman Taro. Já a moça é um colírio para os olhos, porém sem muita utilidade para a trama.

A experiência com os foguetes foi catastrófica e isso despertou os kaijus Gomora (de Ultraman), Dustpan (de Mirrorman), Astromons, Tyrant e Dorobon (os três últimos são de Ultraman Taro). Após salvar Annan, o amigo de Koh, do perigo, Hanuman ressurge para impedir o ataque dos cinco monstros gigantes. Ao ser encurralado, os seis Irmãos Ultra aparecem para ajudar o novo companheiro e defender a Terra.

No longa de quase 2h de duração podemos ver cenas de séries e filmes antigos, trilhas sonoras (especialmente de Ultra Seven) e outros elementos da mitologia da Família Ultra reaproveitados. Um filme arrastado e que não causa a menor empolgação. Tem boas sequencias de ação, porém está longe da essência da franquia Ultra. Quase tudo é fraquíssimo e há situações improváveis como esmagar um bandido, mostrar cena de assassinato de criança, entre outras bizarrices. Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan soou como uma desculpa pretensiosa para divulgar os Ultras como se fosse uma superprodução. Está anos luz de tal nível.

Ainda não é a produção mais constrangedora de todos os tempos, como os filmes orientais live action de Dragon Ball, por exemplo. Mas vale assistir pela curiosidade e como material de pesquisa sobre tokusatsu. Você não irá sentir saudades depois de conferir por si próprio. Muito menos a Tsuburaya que teve uma experiência constrangedora que ultrapassa a qualidade do filme. Tudo parecia acabar ali mesmo, mas este seria apenas o começo de uma grande dor de cabeça para o estúdio japonês.

Curiosamente no mesmo ano de lançamento desta bizarrice, a Chaiyo produziu Hanuman and the Five Riders, em parceira com a Toei Company. A divindade também se encontrou com os Riders Ichigô, Nigô, V3, Riderman e X. Mas isso é assunto para um outro post.

Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan estreou no Japão apenas em 17 de março de 1979, semanas antes da estreia do animê TheUltraman. Série que marcou a volta temporária dos Ultras após o final de Ultraman Leo.

Fim da briga judicial em 2017

Capa do Laser Disc japonês do filme 
com destaquepara Ultraman Taro
Após a morte de Noburu Tsuburaya (segundo filho de Eiji Tsuburaya) em junho de 1995, o presidente da Chaiyo, Sompote Saengduenchai, afirmou no ano seguinte que havia um acordo firmado entre as empresas tailandesa e japonesa assinado cerca de 20 anos antes. Na ocasião foi apresentada uma carta com uma assinatura forjada, como se fosse do próprio Noburu Tsuburaya e com data de 4 de março de 1976. O suposto documento dizia que os direitos internacionais (com exceção do Japão) dos personagens da franquia Ultra até 1973 (ano de estreia de Ultraman Taro) foram transferidos para a Chaiyo.

A Tsuburaya afirmou que a tal carta era uma fraude e haviam evidências disso. O nome do estúdio japonês estava com grafia errada e Ultraseven foi referido como "Ultraman Seven". De acordo com os advogados da Tsuburaya, o sr. Noburu jamais erraria os nomes dos personagens. Apesar disso, a Chaiyo criou um seus próprios personagens baseados nos Ultras e inserido-os em shows, imagens promocionais e o famigerado filme tratado acima.

A disputa judicial pela marca Ultraman começou em meados de 2002 e atingiu o mercado ocidental, uma vez que o documento apresentado pela Chaiyo afirmava que os direitos de distribuição para outros países pertenciam a eles. O mais absurdo é que a Chaiyo afirmava que ela tinha parte da criação da franquia nos anos 60. O que todos sabemos que é uma falácia sem cabimento. Tal alegação teve como base uma visita que Eiji Tsuburaya fez na Tailândia e lá teria conhecido uma variedade de estátuas raras de Buda através de Saengduenchai e algumas dessas imagens serviria de inspiração para a criação do primeiro Ultraman. O fato é que a Chaiyo teve permissão oficial para negociação de merchandising de Ultraman na Tailândia e em mais cinco países da Ásia. Porém o presidente da Chaiyo diz ter sido prejudicado pela Tsuburaya e chegou a exigir uma carta de retratação numa determinada ocasião.

Em 20 de novembro deste ano, oito membros da corte jurídica de Los Angeles declararam por unanimidade que o tal contrato apresentado pela Tsuburaya não tem qualquer autenticação. Assim foram concedidos os direitos definitivos das primeiras séries Ultra para a Tsuburaya. Em outras palavras, séries como Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace e Ultraman Taro podem futuramente ser comercializadas fora do Japão para variadas mídias. Após esta longa e árdua batalha, a Tsuburaya conquista a vitória num ano bastante significativo/comemorativo que foi 2017.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Cancelamento de Ultraman Tiga pela Record é mais um mistério que jamais será desvendado

Marcelo Del Greco fala sobre o licenciamento de Ultraman Tiga (Foto: Reprodução/Jbox)

Neste fim de semana saiu a segunda e última parte da entrevista com Marcelo Del Greco ao canal Jbox. O jornalista - que passou pela revista Herói e atualmente está na Editora JBC - também foi responsável por parte do licenciamento de Ultraman Tiga no Brasil, como sócio da distribuidora Mundial.

Ultraman Tiga tinha tudo para continuar o legado das séries japonesas de tokusatsu na TV brasileira. Estava com mais pontos de audiência do que Pokémon (na época estava em sua segunda temporada por aqui) e tinha todo um material que estava sendo licenciado. Além de Ultraman Dyna e Ultraman Gaia, havia também planos de redublarem séries antigas como Ultra Seven e O Regresso de Ultraman e até o inédito Ultraman Ace. Na época em que Ultraman Tiga estava em exibição na Record, o filme Ultraman Tiga: A Odisseia Final também estava em exibição nos cinemas do Japão e estava nos planos da distribuidora para trazer nas telonas brasileiras.

O que não dá pra entender é o real motivo da saída do guerreiro da luz da TV faltando apenas quatro episódios para finalizar a série. Acredita-se por aí que Eliana tenha sido o pivô, pois a série era uma das atrações de seu programa na Record. Porém isso não foi mencionado. É um detalhe que cabe aos bastidores e talvez ela tenha estivesse insatisfeita com o material em seu programa. Por um lado, Ultraman Tiga era muito violento/sério/dramático para um programa com conteúdo mais "inocente". Merecia estar numa faixa jovem como umas 19h ou 20h. Por outro, a Record poderia dar uma chance ao herói colocando num horário justo e condizente ao enredo.

É claro que isso não dependia da Mundial nem do Marcelo. As emissoras de TV são soberanas nas decisões de horário. O que pode ajudar ou complicar no resultado final. O fato é que Ultraman Tiga é mais um mistério que não deverá ser desvendado tão cedo e não dá pra entender o cancelamento de uma série que tinha tudo para renovar público. Triste realidade.

O encontro de Tiga e Ultraman foi ao ar apenas na Rede 21

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

TV Diário comete os mesmos erros da Manchete e outros piores ao exibir Super Campeões

O craque Oliver Tsubasa

Desde o final de setembro a TV Diário - canal 22.1 de Fortaleza - exibe a reprise de Super Campeões, em sua versão clássica exibida na extinta Manchete, conhecida originalmente como Captain Tsubasa J. O momento coincidiu (ou foi proposital) com o aniversário de 20 anos de estreia no Brasil.

A exibição acontece de segunda à sexta no programa infantil(oide) Algodão Doce e vez por outra sofre uns erros na exibição como repetir um episódio exibido no dia anterior. Algo quase frequente no começo dos anos 90 quando a Manchete exibia reprises de Changeman, por exemplo. Até o momento foram exibidos os primeiros 28 episódios do animê e ao invés de continuar de onde parou, a série começa do início. Pra se ter uma ideia, Super Campeões voltou ao primeiro episódio nesta terça (19) e repetiu o mesmo nesta quarta (20).

Tem mais alguns erros. Só que esses a saudosa emissora carioca não cometia. Como fade in/fade out entre o momento em que aparece a palavra "tsuzuku" (つづく) e o encerramento. Uma edição desnecessária e que poderia rolar na íntegra. Sendo que a palavra japonesa que indica continuação às vezes nem aparece direitoOu mesmo o encerramento é cortado.

Fora outros cortes como episódio cortado minutos antes do encerramento e sequencia descompromissada aos sábado. Nesse dia da semana são exibidos dois episódios no seu Festival de Desenhos e curiosamente, em outubro, a TV Diário exibiu o mesmo episódio quatro vezes no mesmo dia. (!) Duas pela manhã e duas na reprise na madrugada.

Independente de ser ou não uma exibição oficial, a TV Diário deveria cuidar melhor de um animê tão legal como Super Campeões. Não dá pra dizer que a exibição é digna com essa sucessão de erros.

Atualização: Nesta quinta-feira (21) a TV Diário exibiu pela terceira vez consecutiva o primeiro episódio. Sabe-se lá o motivo por isso, mas alguém tem que revisar a ordem dos episódios antes de ir pro ar. Desta vez foi pra saturar o espectador.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ultraman Geed é de longe a melhor série tokusatsu de 2017 e supera Ultraman Orb

Ultraman Geed vai fazer muita falta

Falta apenas um episódio para fechar a saga de Riku Asakura e cia na TV japonesa (aqui no Brasil pode ser visto a qualquer hora via streaming pela Crunchyroll) e definitivamente podemos constatar que Ultraman Geed é a melhor série tokusatsu deste ano. Ultimamente as séries Ultra vem mudando alguns elementos, porém respeitando a essência que a franquia carrega desde 1966 com Ultra Q e Ultraman. Um dessas mudanças é a saída dos esquadrões anti-monstros (isso tinha que mudar uma hora ou outra e pode voltar num futuro próximo).

Desde a estreia em julho vimos que a série tinha potencial para superar Ultraman Orb, que foi uma ótima série formada por um número concentrados de personagens e deixou uma marca carregada de carisma e uma digníssima homenagem aos heróis. Ultraman Geed tem tudo isso e muito mais. A diferença é que a trama tem um lado sombrio que não cai numa densidade profunda como Kamen Rider Black, Garo, etc.

Isso sem mencionar o talento dos atores. Todos escolhidos a dedo. Tatsuomi Hamada cresceu desde sua participação no filme do Ultraman Zero e tem uma carreira promissora devido ao seu talento e ótima interpretação como Riku Asakura. Eu destaco alguns nomes como Yuuta Ozawa (Leito Igakuri), Chihiro Yamamoto (Laiha Toba) e Kunito Watanabe (Kei Fukuide). E as vozes de Megumi Han (Pega), Suzuko Mimori (Rem) e claro, Mamoru Miyano (Ultraman Zero). Tudo isso foi feito com primazia pelo roteirista Oitsuichi e a direção com competentíssimo Koichi Sakamoto (o mesmo de Space Squad) que deram um show.

Apesar de todo o trabalho, a sensação é de que alguns pontos deverão ficar pendentes para o filme do herói que estreia em março de 2018 - obviamente -no Japão. Um semestre inteiro já é o suficiente para contar história, mas é bom Riku dar um descanso para retomar o fôlego e quem sabe explorar sua origens em Okinawa.

O ano 2017 foi cheio para os fãs de tokusatsu e principalmente para a franquia Ultra que comemorou o cinquentenário de Ultra Seven - com direito a participação de Bin Furuya aqui no Brasil pela CCXP. Ultraman Geed é mais uma série que vai deixar saudades e é mais uma prova clara de que a Tsuburaya ainda tem muito trabalho pela frente.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Jiraiya arrebata gerações no Sana Fest e reacende a chama do tokusatsu

Takumi no palco do evento de Fortaleza

Treze anos se passaram desde a primeira visita do ator japonês Takumi Tsutsui ao Brasil para representar o maior sucesso de sua carreira: o ninja Jiraiya. De lá pra cá, Takumi passou por vários eventos em nosso país e sempre transmitindo simpatia, humildade e carisma. A presença dele é sucesso garantido por onde passa.

Demorou, mas aconteceu. Depois de muita insistência do público local, finalmente Takumi Tsutsui se apresentou em Fortaleza no terceiro e último dia da 11ª edição do Sana Fest, que aconteceu neste domingo (17). Originalmente acontecia no mês de janeiro, servindo com prévia do tradicional evento de julho, e a partir de agora o Fest passa a acontecer anualmente em dezembro. Takumi é o primeiro ator japonês de tokusatsu a vir à capital do Ceará. Sendo que ele é o quarto, considerando os três atores de Power Rangers que também estiveram recentemente. O primeiro foi Walter Jones (Zack, o primeiro Ranger Preto de Mighty Morphin Power Rangers) em janeiro de 2016, Jason Faunt (Wes, o Ranger Vermelho de Power Rangers Força do Tempo) em julho do mesmo ano e Steve Cardenas (Rocky, o segundo vermelho de MMPR e o azul de Power Rangers Zeo) em janeiro de 2017.

O ator entrou no palco Art & Fest cantando o tema de abertura da série Sekai Ninja Sen Jiraiya. Originalmente cantado por Akira Kushida, que já esteve no Sana em 2007 e em 2010. Entre muitos marmanjos que assistiram o clássico pela extinta Manchete entre 1989 e 1999, estavam também crianças e adolescentes que conheceram a série por causa da popularidade do ninja olimpíada no Brasil.

Takumi, que estava trajando um quimono parecido com o que Toha Yamashi (Toha Yamaji) vestia em Jiraiya, mencionou que agora faz 30 anos do início das gravações da série. No Japão, Jiraiya estreou em 24 de janeiro de 1988 e era exibido nas manhãs de domingo da TV Asahi. Pediu "desculpas" por ter envelhecido nesse tempo (cá pra nós: a mudança não foi tanta assim). Contou que também vestia a armadura olímpica nas gravações e que, segundo ele, "não protegia nada" e fazia muito calor no verão e que quase morria de frio durante o inverno. Sempre precisava de ajuda para vestir e tirar o traje. Até para ir ao banheiro havia dificuldades.


Com a simpatia de sempre, Takumi interage com o público

Ao som das BGMs que tocaram na série (produzidas por Kei Wakakusa, o mesmo compositor de Janperson, Blue SWAT, Robotack e Tomica Hero Rescue Force), o ator falou que por causa de Jiraiya, fez amizade com atores da franquia Metal Hero. Entre eles, Kenji Ohba, o Policial do Espaço Gavan. Ohba participou do episódio 27 de Jiraiya como Yajiro, um ninja que desafiou Toha ao vestir a armadura olímpica. Ele também amizade com Akira Senoo e Shouhei Kusaka. Respectivamente os atores que viveram Metalder e Jiban. Takumi disse que, se tudo der certo, quer trazê-los para Fortaleza. Akira Kushida também é um grande amigo.

O público fez perguntas e até declarações. Como uma criança que disse que conheceu Jiraiya por causa de seu pai. Takumi ficou surpreso por ter muitas crianças que são fãs dele. No Japão não tem isso. Teve até uma fã que pediu um "kiss me" e Takumi mandou carinhosamente a distância. Um jovem disse que Jiraiya serviu de inspiração em sua vida, pois, mesmo sem dinheiro, Toha vencia as adversidades. Isso lhe deu forças para trabalhar e amar mais as pessoas. Entre as perguntas, ele respondeu que faria novamente Jiraiya caso apareça alguma oportunidade. Tem expectativa quanto à uma possível participação numa sequencia de Space Squad, mas ainda não recebeu convite da Toei. E o episódio 22 de Jiraiya é o seu favorito. Aquele em que Kei ganha de Toha um vestido de presente para comemorar o aniversário de uma amiga e caiu na armadilha de Dokusai e sua Família de Feiticeiros.

Houve um momento de gincana onde cinco pessoas participaram para imitar a apresentação de Jiraiya. Um deles foi escolhido e ganhou uma revista (talvez uma Televi-kun da época, não tenho como precisar). Como prêmio de consolação, os outros participantes ganharam tecidos autografados pelo próprio Takumi.

A apresentação de Takumi Tsutsui terminou com ajuda do público cantando o tema de abertura em português (na primeira parte da música) e o autor cumprimentou rapidamente as pessoas que estavam em sua frente. Foram 40 minutos de muita alegria e que ficarão na memória de quem testemunhou a passagem do incrível ninja. O resultado constata que tokusatsu é rentável também em Fortaleza e pode ter divulgação ampliada. A experiência pode render a vinda de mais atores do gênero nas próximas edições. Assim esperamos.

O Brasil é praticamente a segunda casa de Takumi Tsutsui e as portas estão abertas para recebê-lo mais uma vez em Fortaleza.

Veja Takumi Tsutsui no início da apresentação:

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ninguém vai sentir falta dos filmes Super Hero Taisen

Os últimos Riders da era Heisei

Saiu nesta quarta (13) um tweet do produtor Shinichirô Shirakura sobre a descontinuidade de Super Hero Taisen. A famigerada série de filmes da Toei que reúne as franquias Kamen Rider e Super Sentai na primareva japonesa. Quem assistiu sabe da bagunça que é. Fanservices malfeitos, situações forçadas, estratégias toscas, etc. Filmes como Super Hero Taisen GP: Kamen Rider 3 (2015) e Kamen Rider 1 (2016) são exceções e são recomendáveis.

A nota de Shirakura diz o seguinte:

"Nós não pretendemos fazer mais filmes de "primavera". O "Final" no título deste se refere a isso e concentrou esforços tantos para os filmes de inverno quanto para os de primavera. O filme de (Kamen Rider) Amazons é algo à parte, separada dos principais filmes Rider. Gostaríamos de trazer algo impressionante."

O "Final" que Shirakura se refere é ao filme Kamen Rider Heisei Generations Final: Build & Ex-Aid with Legend Rider, lançado no último fim de semana nos cinemas japoneses e que marca o fim da atual era imperial para os motoqueiros mascarados. Pelo que dá a entender, a Toei está abandonando esses formatos de filmes que vinha aderindo desde o começo da década. O filme de Kamen Rider Amazons é um caso isolado como foi explicado e servirá como desfecho da web-série.

Já era sem tempo da Toei mudar e fazer algo diferente. Mesmo com seus altos e baixos, Super Hero Taisen não passou de um circuito "caça-níquel". Alguns devem ficar felizes, outros nem tanto. Mas cá pra nós: foi uma série que não fará falta alguma. Quem sabe a Toei esteja preparando algo mais elaborado/inteligente para a próxima era.

Até aqui, a série de filmes Space Squad tem feito sucesso no Japão e, segundo declaração de Kenji Ohba (Gavan) na CCXP, terá continuação em 2018.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O novo Super Campeões deveria ser uma história original

De tempos em tempos Oliver Tsubasa (Tsubasa Ozora) recomeça sua jornada para se tornar um jogador profissional. E isso irá acontecer mais uma vez a partir de abril de 2018 com o novo Super Campeões -- ou melhor, Captain Tsubasa. Será a quarta série animada da franquia para a TV japonesa. Desta vez com produção da David Production (mesmo estúdio de JoJo no Kimiyo na Bouken) e será exibida na TV Tokyo. Provavelmente será na faixa matinal de sábado ou de domingo. Curiosamente esta foi a mesma emissora que exibiu a versão original.

A primeira versão foi exibida entre 1983 e 1986, com produção da extinta Tsuchida Production e que tinha uma pegada infantil e trilha sonora eletrizante. Em 1994 surge Captain Tsubasa J pelo Studio Comet. Esta foi a versão exibida pela extinta Manchete entre 1997 e 1998. Em 2001 o Group TAC lança a série Captain Tsubasa: Road to 2002. Exibida por aqui via Cartoon Network e RedeTV!.

Para esta década que está quase no fim, Tsubasa ganha um novo começo. Nenhuma grande novidade à vista, a não ser pela atualização de animação e efeitos que irão ajudar a recontar a saga do craque japonês para o público infanto-juvenil de hoje. Há também indícios de que Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Manuel Neuer poderão dar as caras. Não deixa de ser oportuno para o ano de Copa do Mundo. Recentemente saiu um game da série para celular e isso seria pouco para dar sobrevida à franquia.

Isso não seria ruim, entenda. Super Campeões é sempre bem vindo e gosto da série. Mas seria legal ver uma continuação, nem que fosse uma história desvinculada do mangá de Yoichi Takahashi. Algo original, como será Megalobox, continuação de Ashita no Joe que está programado para o mesmo mês.

Em todo caso, só nos resta gritar: Fight Tsubasa!!!

Assista o trailer do novo Captain Tsubasa:


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mente quem diz que o Ultraman é velho. Bin Furuya comprovou exatamente isso na CCXP

O encontro épico de Bin Furuya, Austin St, John e Kenji Ohba (Foto: Divulgação/4 Fun Fest)

Tem uma música do veterano grupo musical MPB4 que diz no refrão "mente quem diz que a Lua é velha". Essa foi minha inspiração no título acima pra desmistificar algo que ouvi falar há algum tempo e que talvez você também tenha se deparado. Algo como Ultraman é "velho", que é "ultrapassado" e que "ninguém gosta mais da série". Pura desinformação. Um absurdo sem cabimento. Ultraman é a alma e a essência do tokusatsu. Talvez alguém que se declara fã do estilo diga que não gosta da franquia. Ele pode pensar que não gosta, mas com certeza já curtiu elementos bem presentes em produções oitentistas e que continuam até os dias de hoje, certo? É só ver Jaspion e Power Rangers, por exemplo, que dá pra encontrar fácil fácil.

É estranho ouvir falar que gosta de tokusatsu e não curte a Família Ultra. Seria o mesmo que alguém falar que gosta de HQ e não curte um Superman, um Batman ou um Homem-Aranha. Contraditório, não? Pois bem. Mas a questão aqui não é exatamente sobre gosto pessoal de cada um e sim tentar mostrar mais uma vez (sem querer, mas já mostrando) que Ultraman continua muito bem atrelado ao gênero e continua atravessando gerações. E uma má notícia pra você que de repente torce o nariz para o gigante: ele vai continuar assim nas próximas décadas.

Eu não pude ir para a CCXP, mas acompanhei alguma coisa ou outra por fotos de amigos, vídeos de canais do YouTube e até envios de leitores. Lá na fan page do blog no Facebook há alguns registros bem bacanas. Quem esteve lá pode expressar melhor como foi a experiência, mas quem acompanhou de longe pôde notar de alguma maneira que o evento foi épico. Mais precisamente sobre atores de tokusatsu, lá estavam Austin St. John (o Jason de Power Rangers), Kenji Ohba (o nosso eterno Gavan) e Bin Furuya (dublê do primeiro Ultraman e intérprete de Amagi em Ultra Seven). Queria ter visto e conversado com os três se eu pudesse estar lá em SP e quem sabe entrevistá-los.

Power Rangers conquistou uma geração que acompanha a franquia nipo-americana há quase 25 anos. Já Gavan tem um público fiel que acompanhou a trajetória dos Metal Heroes nos anos 80 e 90. E com Ultraman não é muito diferente. Pelo que deu pra perceber, Bin Furuya representou o nome do herói mais importante da história do tokusatsu e provou que não existe idade pra curtir um bom clássico -- que continua bastante presente. Antigos e novos fãs aproveitaram a oportunidade pra conversar com o veterano ator/suit actor, pegar um autógrafo e bater aquela foto imitando a pose de disparo do Specium Ray. Marca que Furuya carrega por onde vai, sempre com boa simpatia. Isso é o bastante para derrubar mitos citados na introdução deste artigo. Fora tantos outros exemplos que poderia mencionar. O gigante prateado consegue sim cativar várias idades do nosso nicho.

Como disse duas semanas atrás neste post, Ultraman é rentável, mas ainda precisa ser melhor difundido. É como descobrir Star Wars que também é uma franquia antiga, atual e é riquíssima em mitologia e bastidores. Porém não é tarde para explorar essa "mina de ouro". Esta edição da CCXP serve de referência para tantos outros grandes eventos de cultura pop no Brasil e é uma prova da força que Ultraman tem na esfera da cultura pop japonesa. Por isso não dá pra deixá-lo de fora ou ofuscado na hora de divulgar o tokusatsu.

E imagino o quão especial deve ter sido conhecer três lendas vivas do tokusatsu e sem distinção de idade ou geração.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Na reta final, Ultraman Geed muda o rumo de maneira totalmente inesperada

Kei após mais uma dura batalha (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Esse foi de longe um dos melhores episódios da série. Estamos a duas semanas do final de Ultraman Geed e a cada episódio a produção da Tsuburaya vem deixando o espectador na ponta do sofá (ou da cadeira se você assiste pelo computador). O episódio deste sábado (9) foi marcado pela luta decisiva entre Riku/Geed e Kei/Belial. Seria só isso se não fosse por uma surpresa que ficou guardada para este momento que antecede os dois últimos episódios.

Quem acompanha o blog sabe que comentários eventuais de episódios da semana podem conter spoilers. Como se trata de algo surpreendente, não leia as linhas abaixo caso não tenha visto nada ainda.














A luta foi marcante, porém não tinha muito do clima de desfecho. Parecia mais um acerto de contas antes dos momentos decisivos. Mas o que chamou atenção mesmo foi a inesperada aparição de Arie Ishikari, que aparece viva, com poderes especiais e retira o poder de Belial do corpo de Kei. Tem mais: ela revela que é a mãe de Riku Asakura.

A participação de Arie foi curta, pois ela desmaiou logo após o ato. Foi pequena, porém o bastante para mudar os rumos da série. Possivelmente veremos no próximo episódio uma explicação sobre o passado de Arie e qual sua relação com Belial. Há um ponto que deixa subtendido uma razão para Arie querer ir para Okinawa ao lado de Kei. Esta relevação leva o espectador a crer que algo muito importante aconteceu na cidade (onde Jaspion atua como instrutor de mergulho... Hahaha!) e que o local seja a terra-natal de Riku. Nada confirmado até o momento. Então temos que esperar pra ver o que acontece. Se você acompanha as notícias, deve saber então que Okinawa será palco do filme de Ultraman Geed em março de 2018 nos cinemas japoneses.

Escrevi dois posts nesta coluna sobre a curta aparição de Arie em Ultraman Geed e, até onde ela foi dada como morta, disse que ela tinha potencial para formar uma insana parceria com Kei/Belial e que ela poderia ser melhor explorada na trama. Seu retorno foi significativo e dá mais sentido ainda à sua participação. Ficou acima do esperado.


Arie em seu retorno triunfal... e revelador (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Em Ultraman Geed, Arie Ishikari foi um mero joguete nas mãos de Kei

Arie em seus últimos momentos ao lado de Kei (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Semanas atrás comentei sobre a parceria entre Kei Fukuide/Belial e Arie Ishikari. Ela que foi uma escritora que teve a improvável decisão de se aliar ao vilão, mesmo tendo ideia dos riscos que ela poderia sofrer. Foi uma coisa louca, mas que tinha tudo pra ser explorado em Ultraman Geed. Seria ideal se ela vingasse até o penúltimo episódio, pelo menos.

Ela foi uma escritora como disse acima. Você não leu errado. Ela foi vítima de seu próprio parceiro. Alguém em que ela jamais deveria ter compactuado. Sim, ela poderia ser vitimada a qualquer momento, como aconteceu no episódio deste sábado (2). Mas Arie poderia ter ficado mais algum tempinho e continuar ajudando Kei de alguma forma ou de outra. A escritora serviu apenas de cobaia para atrair Riku/Geed e Leito/Zero numa cilada para capturar duas cápsulas importantes.

O destino de Arie foi cruel e inesperado -- pelo menos neste exato ponto da série. Ela poderia ficar em mais dois episódios e, digamos, servir por mais tempo ao mal. Por outro lado, como todo "bom" vilão, Kei apenas aproveitou a ambição da moça para conquistar seu objetivo e descartá-la em seguida. Cena forte para os padrões atuais de programação infantil na TV japonesa e o bastante para odiá-lo.

Infelizmente Arie foi apenas um joguete nas mãos de Belial e não deu tempo para ela ter mais desenvolvimento na trama. Que pena.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Mangá ULTRAMAN é digníssimo de animação

O anúncio oficial do animê (Foto: Reprodução/Heros-ULTRAMAN)

A maravilhosa obra da dupla Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi foi uma das gratas surpresas que tivemos nos últimos tempos. O décimo primeiro volume da publicação vai sair agora no dia 5 de dezembro, lá no Japão. Enquanto isso, os volumes 9 e 10 devem ser publicados no começo do próximo ano (se nada dar errado) pela Editora JBC.

Um contador regressivo de horas apareceu no site oficial do mangá no início da semana e nos preparava para uma divulgação que envolve o mangá ULTRAMAN (a estilização oficial é assim mesmo, tudo maiúsculo). A mesma aconteceu no começo da madrugada desta sexta-feira (1) no Japão (tarde desta quinta-feira [30] no Brasil) e revelou uma adaptação da obra em animê. Com previsão para 2019.

O mangá está em publicação desde 2011 pela editora japonesa Shogakukan e de lá pra cá sempre saem dois volumes por ano na terra dos monstros gigantes. A trama se passa décadas depois do final da série clássica Ultraman. Desconsiderando eventos de Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace e outras séries e filmes da cronologia de M-78. Ou seja, Ultraman foi o único herói que lutou na Terra nesta linha alternativa. Hayata está idoso e tem um filho adolescente, Shinjiro, que tenta levar uma vida pacata como os garotos de sua idade. Porém ele carrega uma força sobre-humana conhecida como Fator Ultra, provável de Hayata devido ao período em que esteve em simbiose com o gigante prateado.

Personagens como Dan Moroboshi (Seven) e Seiji Hokuto (Ace) estão presentes nesta releitura e com personalidades fortes, se compararmos as suas contrapartes originais. O segundo Ultraman é representado pelo humano chamado Jack, que possui o Ultra Bracelete. Isso sem mencionar as constantes referências e homenagens às séries clássicas, aparições de alguns personagens da Patrulha Científica, e muitas surpresas.

O mangá poderia ganhar uma versão tokusatsu? Sim, quem sabe um dia. Mas não acho que seja o momento. Sempre esperei por uma versão animê do que em live action. O ritmo da história tem todas as características para uma animação da faixa da madrugada e as batalhas são de deixar o leitor (futuro espectador) na ponta do sofá/roendo as unhas. Até aqui tudo fica na imaginação de como poderá acontecer e torcermos pra que a adaptação seja o mais fiel possível. Uma temporada de dois cours (termo francês que significa "curso" e que representa um período de três meses cada na TV japonesa) seria o ideal para contar essa história semanalmente. Vamos esperar um pouco mais de um ano para ver o resultado. A ansiedade é grande para quem é fã dos Ultras e acompanha o mangá. Pretendo recomeçar a ler em breve para entrar no clima e comemorar essa grande novidade.

Ah, torço pra que a atriz/dubladora/cantora Maaya Uchida (a Hiroyo Hakase do tokusatsu Akibaranger) participe do animê. Ela interpretou a idol Rena Sayama numa Motion Comic do mangá apresentado no canal oficial da Tsuburaya no YouTube e poderia reprisar a personagem na TV. Se não for sonhar demais, ela poderia cantar ao menos algum tema de abertura.

Se você ficou curioso e está no aguardo do lançamento do animê ULTRAMAN, não fique só na vontade. O mangá está em publicação pela Editora JBC, vale cada centavo e é mais uma ferramenta que diverte, instiga a nova geração a conhecer a mitologia Ultra e emociona fãs veteranos. Item obrigatório para os fãs de tokusatsu.

PS: Recomendo dois artigos escritos pelos mestres Alexandre Nagado e Usys222 sobre o mangá em seus respectivos blogs Sushi POP e Casa do Boneco Mecânico - Anexo -. Nesta sexta o grande Danilo Modolo vai apresentar no canal TokuDoc a primeira parte de sua review sobre a obra.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

TimerMan - O Guerreiro do Tempo

Nasce um novo herói brasileiro (Foto: Divulgação)

Quando se fala em tokusatsu, logo vem à mente produções como Jaspion, Changeman, Ultraman, Kamen Rider, Godzilla, Gamera, Power Rangers e tantos outros. Tokusatsu, abreviação de "tokushuu kouka satsuei" (algo como "filmagem de efeitos especiais"), é um gênero que utiliza maquetes, pirotecnia, entre outros recursos de produção para contar uma história. Originalmente estrelados por monstros e robôs gigantes, o gênero, que começou em 1954 com a estreia de Godzilla no cinema japonês, evoluiu de lá pra cá. Desde destaques para heróis de tamanho humano até mesmo a evolução desses efeitos.

Assim como, por exemplo, o samba é um estilo musical genuinamente brasileiro em qualquer parte do mundo, o mesmo vale para o tokusatsu. Qualquer país pode produzir o seu próprio conteúdo neste estilo, mesmo que seja uma adaptação estrangeira. Aqui mesmo no Brasil tivemos o famoso Insector Sun (em 2000) e o Cruzer (em 2015). Este último foi um personagem exclusivo do clipe da música "On The Rocks", do cantor Ricardo Cruz, integrante da banda JAM Project.

Close para o guerreiro do tempo
O ano 2018 já tem um novo super-herói e ele irá defender a paz e a justiça -- no Brasil. TimerMan é um novo projeto de tokusatsu nacional que tem tudo para se destacar entre o público. A produção independente se passa em um futuro distante da cidade maravilhosa: Rio de Janeiro. A Terra é o alvo dos Nômades. Grupo formado pelos seres espaciais Rei Madu e seu filho, o príncipe Madam. A humanidade conta com armamentos de alta tecnologia. Prestes a serem derrotados, os Nômades conseguem roubar uma tecnologia experimental criada em nosso planeta para viajar no tempo. Essa tecnologia permite enviar material inorgânico apenas para o passado. Assim, os Nômades ganham vantagem na tentativa de conquistar os terráqueos, além de ser ideal, uma vez que a fisiologia deles é diferente dos humanos.

Ao descobrirem os planos dos vilões, os humanos do futuro correm contra o tempo para enviar aos nossos dias atuais uma androide, cuja a missão é encontrar uma pessoa que seja compatível a um poderoso traje de combate - denominado pela sigla T.I.M.E.R.MAN - para lutar contra o diabólico Madam.

A inspiração do projeto TimerMan nasceu em 2014 através da parceria do trio Fabiano Ferreira, Francisco Mauriz e Jeferson Martins. Além de roteirizar e cuidar do figurino, das armaduras e dos efeitos especiais, Fabiano é quem interpreta o herói-título. Com ele está Francisco que é encarregado da produção e ilustração dos personagens.

"Conforme o planejamento para execução do projeto avançava novos membros, de diferentes regiões do Brasil, se aliaram na intenção de trazer o personagem à vida. São eles, Rafael Alencar (roteiro), Marister Cortez (atriz), Felipe Gotelip (ator), Tuta Vasconcelos (compositor), Fagner Alves (modelador 3D)". Conta o ilustrador e produtor Francisco Mauriz.

Atualmente está em produção um curta que deve ter duração de 5 ou 10 minutos, servindo como episódio-piloto para divulgação e mostrando a primeira batalha entre TimerMan e Madam. Filmado no Rio de Janeiro, o curta será o pontapé inicial para a campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) para a produções do longa-metragem do herói, que tem lançamento previsto para 2018.

TimerMan se apresentou pela primeira vez no evento carioca AnimeStar, ainda este ano. "ficamos bem satisfeitos, pois seu visual agradou ao público, Fabiano Ferreira (Timerman), Felipe Gotelip (Madam) e Marister Cortez (Andróide Iane) subiram no palco e falaram sobre o projeto para os presentes". Relata Francisco com bastante entusiasmo.

As primeiras cenas de TimerMan estão em produção

No dia 23 de novembro, o primeiro teaser de TimerMan foi lançado em parceria do canal TokuDoc (tocado pelo meu amigo Danilo Modolo) através da fan page no Facebook. O projeto TimerMan pode ser acompanhado no canal oficial no YouTube e na página oficial no Facebook. Seguindo a evolução do tokusatsu, TimerMan embala o público com um projeto promissor e a missão de representar os heróis do gênero.

Veja a seguir o primeiro teaser de TimerMan, seguido do vídeo de apresentação no evento AnimeStar:


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Bin Furuya no Brasil: A sorte de Ultraman está mudando nos eventos locais de cultura pop?

Bin Furuya fazendo a famosa pose de batalha do Ultraman
Em 2016 escrevi esse texto onde eu dizia que os eventos brasileiros de cultura pop deveriam ter mais Ultraman e evitar pedestais criados pelo saudosismo da geração Manchete. Falei um pouco da dificuldade de levar esse tema adiante, em meio a falta de interesse e subestimação. A Comic Con Experience anunciou nesta sexta (24) que Bin Furuya, o dublê do Ultraman original, estará na próxima edição que acontece agora em dezembro. Ele também foi o oficial Amagi em Ultra Seven.

Quando escrevi o artigo eu pensava que a possibilidade de algum ator das séries Ultra vir ao Brasil seria zero. Confesso que não tinha a menor esperança. Na ocasião eu tinha acabado de apresentar uma palestra sobre os 50 anos de Ultraman aqui mesmo na capital alencarina. Foi legal, porém não foi nada fácil tocar a temática para um público que só tem (ou tinha) apenas a Manchete e a Toei Company como únicas e exclusivas referências ao gênero tokusatsu. A responsabilidade foi pesadíssima para e mim e meu fiel escudeiro de eventos, pois contamos com poucas pessoas que realmente acreditaram e só mesmo quem esteve no palco sabe quais foram as provações que enfrentamos (desde o planejamento até o momento de apresentação). No fim das contas não fiquei totalmente satisfeito. O número de espectadores foi razoável (já esperava por isso). Atualmente estou desligado dessas atividades.

Olhando para o lado positivo, a vinda de Bin Furuya ao Brasil deverá ser um marco. Ele já participou de vários eventos, principalmente nos EUA. Numa dessas viagens, no ano passado, Furuya esteve ao lado de Hiroko Sakurai (a Akiko de Ultraman) e Akira Takarada (o eterno astro de Godzilla). Foi um sucesso e teve gente de todas as gerações estavam lá pedindo autógrafo, tirando fotos e conversando com eles. Um sonho ainda distante para mim que não moro nos "States" nem em São Paulo.

Tenho certeza de que lá na "terra da garoa" o momento será um sucesso. Lá tem muitos fãs de Ultraman e existia o evento Ultracon (nunca vi algo parecido aqui no Nordeste). Pelo que pude acompanhar por informações na internet, a CCXP sabe como difundir cada tema trabalhado. Não que os outros eventos não saibam, entenda bem. É que infelizmente a grande maioria dos eventos de cultura pop no Brasil não aproveitam bem a marca Ultraman ou simplesmente ignoram a história do tokusatsu. Acaba sobrando para Jaspion e cia que estão mais saturados a cada ano. Nada contra divulgá-los, ok? Só acho que deveria haver um equilíbrio de divulgação dos gêneros das franquias.

Os que subestimam a Família Ultra que me perdoem, mas mal sabem eles do potencial que a franquia da Tsuburaya tem. Eu poderia aqui escrever um post inteiro explicando a importância de Ultraman, Godzilla, Kamen Rider, mas de nada adianta se pouca gente envolvida compra ideia, valoriza a história do tokusatsu e procurar se atualizar. Inovar conteúdo (nem que seja com uma coisa "velha" e que quase ninguém viu). A presença de Bin Furuya no Brasil, pela CCXP, será um belo exemplo pra essa turma, além de ser uma grande oportunidade para outros eventos começarem a enxergar o Ultraman com outros olhos, como sempre deveria ser.

Ao lado de Kenji "Gavan" Ohba, outro veterano do tokusatsu, Furuya deve conquistar o público paulistano com sua simpatia e servir de referência para outros eventos no Brasil. Mas para que isso aconteça, os organizadores dos respectivos eventos locais (alguns são meus amigos e tenho apreço por cada um) devem compreender o valor da franquia Ultra para o gênero tokusatsu e passar a difundir mais e mais a relevância em suas programações. A franquia Ultra é a que mais teve materiais oficiais de tokusatsu lançados em nosso país nos últimos dez anos, ao lado de Power Rangers. Além de ser o ano do cinquentenário de Ultra Seven, 2017 foi marcado pelo lançamento de Ultraman Geed, mais uma série transmitida oficialmente pelo canal de streaming Crunchyroll. Tivemos o lançamento do primeiro livro dedicado ao Ultraman, escrito por meu amigo Danilo Modolo, do canal TokuDoc. O ano fechará com chave de ouro com a inesperada visita de um ator/dublê da série original.

Ultraman é rentável no Brasil? Sim. Só precisa ser mais difundo nos demais eventos brasileiros e ser melhor aproveitado. Venhamos e convenhamos: já está mais do que na hora de divulgar o tokusatsu como valor cultural ao invés de puramente agradar saudosistas. Felizmente existem eventos que fazem caminho contrário das mesmices, porém são poucos.

A CCXP está de parabéns pela iniciativa. Isso pode mudar os rumos dos Ultras nos eventos no Brasil e servi-los de inspiração. Em todo caso, as coisas estão mudando aos poucos nos últimos tempos.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Já vai tarde. Ribrianne foi eliminada do Torneio em Dragon Ball Super (e não fará absolutamente falta nenhuma)

O último episódio de Ribrianne e seu famigerado "poder do amor" (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Os últimos episódios de Dragon Ball Super foram bem interessantes. De longe o confronto de Goku contra Jiren e o cansativo embate do herói contra Kefla (não confunda com a Youtuber Kéfera, ok?) ficam consagrados na história da franquia e serão lembrados como clássicos. Vale destacar o despertar do Instinto Superior de Goku nas duas ocasiões. Aqui acolá acontecem umas enrolações no Torneio. Uma dessas atende pelo nome Ribrianne. Ela simplesmente é a personagem mais chata que já apareceu neste arco.

É sério. Ninguém aguentava mais esse papo de "poder do amor" pra lá e "poder do amor" pra cá. O negócio era forçado à beça e não convenceu ninguém, por mais que houvesse esforço da guerreira pra isso. Bom, quem fez o favor de despachá-la foi a Nº 18, que (de certa forma) foi confrontada pelo fato da androide ser casada com Kuririn, aparentemente fora dos padrões, segundo a "especialista" Ribrianne. No mais, não foi lá uma luta fácil, embora ela tenha ficado gigante nos seus últimos minutos na arena, serviu para alegrar aos espectadores que já estavam de saco cheio dela.

E um outro detalhe que talvez não fizesse tanta diferença. Ribrianne poderia aparecer mais vezes (assim como na foto abaixo) sem se transformar. Aliás, nem precisava disso. Era só manter algum poder, ter menos exageros e... ficar com sua verdadeira forma. Sua aparência tipo "bonequinha" é bem mais atraente e não causaria tanta rejeição. Deixando bem claro aqui que não é a aparência da Ribrianne que está em questão e sim sua performance forçada e suas frases de efeitos repetidas à exaustão.

Se você estava que nem este blogueiro, torcendo pra eliminação de Ribrianne, abra um champanhe e vamos brindar.


Bem que a guerreira poderia ter aparecido assim mais vezes, né? (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Temos mesmo que boicotar Samurai X pelo crime de Nobuhiro Watsuki?

Kenshin Himura, o herói principal do clássico Samurai X

Você deve estar acompanhando sobre o caso do mangaká. Ele foi pego com materiais de pornografia infantil, foi preso nesta terça (21), confessou que gosta de meninas de 6 e 15 anos de idade, e obviamente sua carreira está em jogo. Muita gente anda comentando na internet dizendo que isso não vai dar em nada, visto casos com a de Mitsutoshi Shimabukuro, outro mangaká que foi preso há 15 anos por prostituição infantil e que retomou com o lanamento de Toriko. Só que atualmente existe uma lei que pune quem comete esse tipo de crime. Detalhe ignorado por muitos fãs. Comentei sobre isso no neste post.

Muita decepção e revolta do público podem ser vistas nas redes sociais. Também há algumas bobagens ditas. Uma delas é com a revolta contra a série de mangá/anime Samurai X. A obra mais famosa de Nobuhiro Watsuki e que marcou uma geração entre os final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Vamos por partes: Samurai X é uma ótima série, é ambientada  na era Meiji, tem um ótima trama e outros elementos que cativaram o público. Querendo ou não, a violência faz parte do contexto. Se não me falha a memória, não tinha apelo sexual como se vê em alguns animês hoje em dia. No mais, é um clássico venerável. Já o crime de Watsuki, é uma outra coisa e não tem absolutamente nada a ver com Samurai X e demais obras assinadas por ele.

Boicotar, deixar de gostar de suas histórias e ir na onda "Maria-vai-com-as-outras" não vai consertar o problema e é o mesmo que cuspir no prato que comeu. O negócio é separar a criação de seu criador e não cair em qualquer generalismo. Independente do crime de Watsuki, a saga de Kenshin Himura sempre fará parte da história da animação japonesa e, apesar do ocorrido, não temos que transformar boas lembranças num trauma infundado.

O que está em questão é a má conduta de Watsuki e não o seu trabalho.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Escândalo de Nobuhiro Watsuki é uma mancha nos tempos modernos da cultura pop japonesa

Samurai X, a obra mais famosa de Watsuki

Os fãs de anime e mangá amanheceram com uma bomba sobre o mangaká Nobuhiro Watsuki, autor de Samurai X, que foi detido pela polícia japonesa por porte de materiais de pornografia infantil. Em seu escritório foram encontrados vários DVDs com meninas de 10 anos. Segundo informações, Watsuki teria confessado que "gostava de meninas de 6 a 15 anos".

Este não é o primeiro caso e nem deve ser o último entre artistas ligados à cultura pop japonesa. Em 2002, o mangaká Mitsutoshi Shimabukuro foi preso por violação das leis locais de prostituição infantil. Na época ele pagou 80 mil ienes a uma jovem de 16 anos para fazer sexo. Ele foi preso, o caso chocou o público e a Shonen Jump se viu obrigada a cancelar o mangá Seikimatsu Leader den Takeshi!, de sua autoria. Shimabukuro deu a volta por cima anos depois com Toriko, publicado pela mesma editora que cancelou sua obra anterior.

Só que os tempos são outros. As leis do Japão estão mais rígidas quanto a isso. Sem mencionar que desde julho de 2015 isso é crime, com pena de até um ano e multas de R$ 29 mil. No caso de Nobuhiro Watsuki, é difícil dizer se ele irá retomar com algum novo trabalho, com uma continuação de Samurai X ou algo do tipo daqui a alguns anos. Talvez isso aconteça ou talvez nunca. Pode ser que ele consiga consertar sua vida, recuperar a dignidade no futuro e ser bem recebido pelos fãs japoneses. A coisa pode ser diferente no resto do mundo, principalmente no ocidente onde o mangaká é conhecido, inclusive no Brasil onde já visitou. A ascensão das redes sociais fortaleceu indiferenças a certos casos. O que deve potencializar esta mancha na história da cultura pop japonesa.

Como o público japonês irá reagir? Só o tempo dirá.

PS: O mestre Alexandre Nagado comentou em seu blog Sushi POP sobre o assunto com pontos mais aprofundados.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Yu Yu Hakusho ganha box comemorativo com trilha sonora do animê


A obra de Toshihiro Togashi completou 25 anos em outubro. Em ritmo de nostalgia, a gravadora Pony Conyon anunciou na noite desta quarta (15) a coleção Yu Yu Hakusho 25th Anniversary Single Record Box. O pacote, que está programado para lançamento japonês em 21 de fevereiro de 2018, irá reunir as principais músicas do animê produzido pelo Studio Pierrot.

A edição regular vai custar 11.340 ienes (ou R$ 330). A caixa (esta da imagem acima) conterá 14 músicas divididas em 7 discos. Já a edição limitada estará disponível no site da gravadora por 12.960 ienes (R$ 380). Esta terá as mesmas canções, porém com adição de duas canções em dueto. Uma entre Yusuke e Keiko e outra entre Kurama e Hiei.

Veja a lista de músicas:
  • Disco 1: "Hohoemi no Bakudan" / "Homework ga Owaranai" por Matsuko Mawatari
  • Disco 2: "Unbalance na Kiss wo Shite / "Taiyo ga Mata Kagayaku Toki" por Hiro Takahashi
  • Disco 3: "Sayonara byebye" / "Dyadream Generation" por Matsuko Mawatari
  • Disco 4: "FIRE!" / "Kokoro wo Tsunaide" por Nozomu Sasaki como Yusuke Urameshi
  • Disco 5: "Otoko no Jyunjo" / "DACHI" por Shigeru Chiba como Kazuma Kuwabara
  • Disco 6: "Kurayami ni Akai Bara ~Romantic Soldier~" / "Koori no Knife wo Daite" por Megumi Ogata como Kurama
  • Disco 7: "Tasogare ni Se wo Mukete" / "Kuchibue ga Kikoeru" por Nobuyuki Hiyama como Hiei
  • Disc0 8: "WILD WIND" por Kurama e Hiei / "Omoide wo Tsubasa ni Shite" Yusuke e Keiko Yukimura (Yuri Amano)

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Década perdida! O destino infeliz de Kamen Rider Kuuga no Brasil

O primeiro Rider da era Heisei

Se você acompanhava as notícias sobre séries japonesas que estavam no páreo para serem veiculadas no Brasil entre 2002-2003, provavelmente você deve lembrar do possível lançamento de Kamen Rider Kuuga por aqui. Revistas e sites especializados publicaram sobre a volta da franquia dos motoqueiros mascarados na TV brasileira. Foi um título que causou expectativa para muitos de nós que ficamos órfãos de produções originais do estilo tokusatsu desde o repentino cancelamento de Ultraman Tiga na Record (todas as três exibições sem o final).

Lembro que em outubro de 2003, a primeira das três edições do extinto site Awika! (revista eletrônica mensal de tokusatsu na internet tocado por Ricardo Cruz e cia), destacou a estreia de Kamen Rider Kuuga que poderia acontecer em algum momento de 2004. Porém, sem emissora e dublagens definidas. Luiz Angelotti, que na época era representante da empresa de licenciamento Dá Licença, estava empolgado e certo de que poderia mesmo acontecer o lançamento oficial do primeiro Rider da então nova geração, assim como aconteceu com Os Cavaleiros do Zodíaco no Cartoon Network e na Band. Afinal, a marca ainda era forte na memória do público que assistiu Kamen Rider Black e Kamen Rider Black RX na extinta Rede Manchete. O Awika! também ressaltou a importância de Kamen Rider Kuuga, a história da franquia da Toei, e o potencial que Kuuga tinha para cativar/impactar o público. Infelizmente o licenciamento não vingou. Rumores foram surgindo quanto aos motivos do fracasso e no fim das contas perdemos uma chance de ter oficialmente mais um Rider legítimo da terra do sol nascente.

A primeira parte da entrevista com o sr. Luiz Angelotti lançada neste fim de semana pelo canal do JBox no YouTube esclareceu esse episódio. Algumas séries como Kamen Rider Kuuga, o animê Pretty Cure, entre outros foram vendidas para emissoras de TV aberta e simplesmente ficaram na gaveta. Obviamente que não foi culpa dos licenciadores, entenda. Eles fizeram suas partes. O problema mesmo era a falta de aproveitamento das próprias emissoras.

O terreno estava fértil no começo da década de 2000. Hoje o investimento em séries tokusatsu para a TV aberta é um tanto improvável devido ao esfriamento desse tipo de produto para o mercado brasileiro para este veículo. Hoje a salvação seria os serviços de streaming (focados em nichos específicos) e já falei várias vezes sobre isso aqui no blog. Só que hoje as coisas são diferentes. O "grande público" de séries tokusatsu demora para se renovar (justamente por esses problemas com Ultraman Tiga e Kamen Rider Kuuga), é exigente e boa parte é saudosista -- esses geralmente ficam presos no "museu" da Toei Company e da Rede Manchete. E não custa lembrar: Power Rangers não tem nada a ver com o problema. Quem tem culpa no cartório são as próprias emissoras de TV aberta. A essa altura do campeonato, não cabe a nós sabermos qual foi exatamente a emissora que  comprou a série tokusatsu. Tudo é questão de ética/sigilo e tentar especular não vai adiantar nada.

Se tudo desse certo, quem sabe Kamen Rider Kuuga poderia ser um sucesso e ter a dignidade da memória afetiva de muitos fã, não é? Mais do que isso. O herói-título poderia abrir a porteira para outras séries da franquia e despertar o interesse por tokusatsu para a geração dos anos 2000. Foi um fracasso antes de qualquer possibilidade de lançamento oficial. Esse problema gerou uma grande lacuna para o tokusatsu no Brasil e vários anos sem um lançamento de uma série inédita até 2009, quando estreou Ryukendo na RedeTV!. As coisas seriam diferentes se as emissoras tivessem boa vontade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Paulo Celestino deu um show como Máscara da Morte no filme A Lenda do Santuário

Paulo nos estúdios da DuBrasil (Foto: Divulgação/CavZodiaco)

Perdemos mais um talento na dublagem. Paulo Celestino nos deixou na manhã desta terça-feira, dia 7 de novembro. Quem vivenciou os anos 90, provavelmente irá lembrar sua voz como o Babar adulto, do desenho As Aventuras de Babar. Exibido na programação infantil da TV Cultura. Nas séries tokusatsu foi o vilão Gatezone de Kamen Rider Black RX e fez um trabalho que lembra um pouco a atuação de Ricardo Petinne. O Taurus (Bilgenia) de Kamen Rider Black.

Foi em Cavaleiros do Zodíaco que Paulo deixou seu principal legado. Inicialmente como Ohko e como Jango, foi eternizado na lembrança dos fãs como o terrível Máscara da Morte de Câncer. Sua última atuação como o personagem foi em Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro, que será lançado direto-para-vídeo no Brasil em 2018, pela PlayArte.

Sua maior e melhor interpretação, sem dúvida alguma, foi no filme Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário. A atuação desta versão do Máscara da Morte dividiu opiniões na época do lançamento. Ainda assim, mesmo que aparentemente fugindo um da essência do vilão, se aproximou do Contador da Morte de Câncer, do mangá Next Dimension e de outras referências ligadas ao teatro grego. Paulo deu um show de interpretação que lembrou algo como musicais da Disney, por exemplo. Sempre que assisto ao filme, me divirto com a versatilidade que ali ele deixou. A cena não será vista da mesma forma após a morte de Paulo Celestino. Melhor dizendo, além de nos fazer rir (que é o meu caso) ou se irritar, haverá um pesar na minha lembrança.

Em homenagem ao mestre de ouro, deixo um vídeo deste momento que ficará marcado na história da carreira de Paulo Celestino: