quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Gatchaman Crowds insight deixa de lado o elemento que mais empolgou no passado


Neste fim de semana encerrou o anime Gatchaman Crowds insight, a continuação direta da temporada exibida no verão de 2013 no Japão (e também no Brasil pela Crunchyroll). Começou bem com uma série de bizarrices que causou a sua popularidade na primeira leva, e foram incluídos mais dois personagens centrais na trama. A novata Tsubasa Misudachi e o(a) alienígena Gelsadra.

Havia uma boa expectativa quanto aos dois personagens. Principalmente da primeira que fez dupla com a tresloucada Hajime Ichinose. Só que que a história ficou um pouco mais séria e um pouco carrancuda quando chegaram as eleições para o novo Primeiro Ministro. Para se candidatar, Gelsadra teve que se tornar adulto de uma só vez e foi eleito após uma breve campanha. Tá certo que suas criaturinhas (que demonstravam as reações das pessoas em sua volta) se transformaram e tocaram o terror. Mas não teve o mesmo impacto que Berg Katze fez no passado.

O final de insight foi o episódio mais chato e de repente deu uma atenção excessiva à Hajime, que não teve tanto destaque desde o começo da temporada. Ela ficou inconsciente após a batalha final e houve uma comoção das pessoas que torciam por sua recuperação. Até aí nada demais, mas soou como uma exerção de tempo até o término dos 23 minutos de episódio. Atípico para os padrões.

O mais estranho é que o pequeno Gelsadra tinha uma aparência feminina, enquanto sua forma adulta era máscula. Era bem estranho um homem gritar "geru-ru-ru-ru-ru", porém caiu perfeitamente na versão infantil do personagem. Curiosamente, este (ou esta) Gelsadra é uma contraparte de uma personagem de mesmo nome da série Gatchaman II. Ela era uma garota que comandava Galactor durante os eventos da série. Na adaptação americana Saban's Eagle Riders, Gelsadra foi rebatizada como "Mallanox".

Gatchaman Crowds insight foi regular por conta da queda de qualidade. Continua atrás da temporada anterior que explorou muito mais nas situações bizarras e nonsense (que são elementos bem característicos desta repaginação). Mas o melhor de todos ainda continua sendo Berg Katze que ficou "bonzinho" e ainda está preso no corpo de Hajime. Mais um trabalho impecável do seiyu (dublador) Mamoru Miyano.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Participação de Ghost no final de Kamen Rider Drive é algo a se dispensar

Shinnosuke no último episódio de Drive

O último episódio de Kamen Rider Drive, apresentado neste domingo (27) no Japão pela TV Asahi, foi um mero epílogo regular que voltou a tocar num elemento que foi deixado lá no início da série. A organização terrorista Neo-Shade (que não tem relação alguma com a organização inimiga de Kamen Rider G) que atuou durante os eventos da Global Freeze.

O rumo foi digno e acrescentou alguns pontos pendentes, inclusive o rumo que levaram Shinnosuke e Kiriko após esta última missão na série de TV. Coisa que já esperávamos e que foi relatada antes no último summer movie da franquia. Teve até um flashback que mostrou (o chato) e (o saudoso) Chase em ação. Mas o final chamou a atenção mesmo por causa da participação de Kamen Rider Ghost. Só que a participação do herói foi um tanto dispensável. É que os elementos do novo herói foram puros fillers e o episódio poderia seguir sem a intervenção dele e do fantasminha Yurusen. Serviram mais pra divulgar a nova série e suas cameos foram um tanto indiretas. Até deu pra pensar que haveria um milagre com a utilização do Newton Ghost Eyecon nas mãos de Shinnosuke, mas o herói resolveu o caso sem algum poder. E se saiu bem salvando sua amada. Apesar dos pesares, a de se dar mérito pelo desfecho da trama, que foi bonito.

Falando sobre Eyecon, houve um erro de continuidade interessante aqui. É que o Newton Eyecon que estava no meio da história que causou o crossover. Só que numa determinada cena, Yurusen estava segurando o Robin Ghost Eyecon. Ou seja, Newton é um Eyecon de cor azul, mas numa determinada tomada Yurusen estava segurando o Robin, que é um Eyecon de cor verde. Confira:



PS: A título de curiosidade, este final foi ao ar no aniversário da belíssima atriz Rio Uchida (Kiriko), que completou 24 aninhos.

PS: O episódio 48 é - de fato - o último da série. Mesmo não tendo a enumeração (que é comum nas séries dos Heisei Riders quando chega ao final), este faz parte da exibição regular de episódios na TV como explicado aqui. Na dúvida, consultemos a "toda-poderosa" Toei Company. É possível que seja enumerado nas box de DVD e BD da série ou numa futura reprise no Toei Channel.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sobre a volta de Jiraiya em Ninninger: o blog acertou no palpite

O Ninja Olimpíada aparecerá voltará em outubro

Em julho indaguei aqui no blog que a volta do ator Takumi Tsustui poderia ser algum tipo de indício pra que Jiraiya voltasse e o personagem desse as caras na série Shuriken Sentai Ninninger, o atual Super Sentai da Toei Company. E este blogueiro acertou na mosca, sem pretensões de estar certo ou errado. A nota foi confirmada em publicações neste domingo (27). A participação de Takumi já estava confirmada desde aquele mês para o filme Tokusou Sentai Dekaranger: 10 YEARS AFTER, o V-Cinema que traz de volta o Sentai de 2004 (como bem sugere o título).

O mais surpreendente é que não vamos ter que esperar janeiro (ou março pra quem mora fora do Japão) pra vê-lo num "versus". O cameo de Jiraiya - depois de longos 26 anos - deve se dar agora em outubro, porem sem data confirmada ainda e não muitos detalhes do que virá. Pelos scans sabe-se que o vilão será mais um yokai. Desta vez Jiraiya enfrentará um tipo de oponente bem cafona, se comparado aos adversários que enfrentou no ano das olimpíadas de Seul.

A volta de Toha Yamashi (Yamaji no original) é uma bela surpresa e já poderia ser aguardada. A expectativa, embora incerta até então, não era a toa. A Toei vem ressuscitando o legado de heróis clássicos de décadas passadas. Não indo longe nos exemplos, dava pra tirar de letra a possibilidade vendo que foi algo similar quando Kenji Ohba havia participado no filme Gokaiger Goseiger Super Sentai 199 Hero Great Battle, como Daigoro Oume/Denzi Blue, de Denji Sentai Denziman (1980~81). Ok, ninguém imaginava que Gavan reapareceria depois. E é preciso que se diga que isso nem estava nos planos da Toei. A ideia foi sendo levada nos bastidores, considerando que Gokaiger já teve um crossover com Goseiger. Isso foi um exemplo do que poderia acontecer agora em Ninninger, tomando este e também o exemplo de Kyoryuger que recebeu os líderes de Zyuranger e Abaranger. É possível que essa moda pegue futuramente em outros Super Sentais com temas mais específicos.

E o que esperar de Jiraiya em Ninninger? Uma aparição dele e de nenhum outro membro da Família Yamashi (por razões óbvias de elenco). Talvez haja alguma citação ou outra, mas acho difícil. Anão ser pela Família de Feiticeiros (Clã Youma) Bem que poderia aparecer a Benikiba e o Retsuga (Retsukiba), que sobreviveram a batalha final. Se Jiraiya vai estar ou não com a Espada Olímpica (Jikou Shinkuken), isso o tempo dirá. Lembrando que a arma vagou no espaço, junto com o Deus Jirai (Jiraijin) para proteger a Terra contra o ataque do planeta das trevas, no último episódio. E quem não fica na expectativa, hein? Vai ser demais ver Jiraiya com efeitos atualizados, embora eu goste dos efeitos obsoletos da época. E falo sem saudosismo algum. Ah, e não espere que Jiraiya tenha uma nova série ou que Jaspion seja um dos próximos a aparecer. É um exagero pensar nisso agora. Ah, é bom preparar a consciência de caso Ninninger ter uma versão Power Rangers e Jiraiya ter (ou não) sua contraparte gringa.

Em tempo, o Toei Channel anunciou desde o começo de setembro em seu site oficial que a série Sekai Ninja Sen Jiraiya (No Brasil: Jiraiya, o Incrível Ninja) ganhará mais uma reprise a partir do dia 19 de outubro, todas as segundas-feiras à noite, substituindo a reprise de Choujinki Metalder. Haverá ainda uma pré-estreia no dia 4 de outubro com a exibição do mítico primeiro episódio. A última reprise por lá foi entre novembro de 2003 e maio de 2004, de onde a antiga versão alternativa de divulgação foi garimpada (e que estranhamente rodou na primeira box lançada pela Focus Filmes em 2009).

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Final de Os Cavaleiros do Zodíaco - Alma de Ouro é mais um fanservice previsível


Seja sincero. Você esperava que o final de Os Cavaleiros do Zodíaco - Alma de Ouro (Saint Seiya - Soul of Gold) seria mais que emocionante? Então, o último episódio foi certamente o mais carregado de puro fanservice. Talvez o fandom aceite isso numa boa e exagere dizendo que foi mais "um clássico". Na realidade, quem já analisava vários pontos e identificava vários furos na série, percebe que o desfecho não poderia ser tão emocionante assim como se aguardava.

Não digo que foi ruim. Apenas não foi tão criativo a ponto de inovar algo que diferencie dos finais das sagas do Santuário, Asgard, Poseidon e Hades. Já esperávamos que Os Cavaleiros de Ouro iriam partir de volta para o além depois da batalha final contra Loki. Mas referencias foram indispensáveis para o fim da trama paralela a Hades. Foi o caso das armaduras de ouro serem banhadas pelo sangue de Atena (que ainda estava no inferno), que ajudou de certa forma no clímax. Pra não dizer que não valeu, a aparição de Poseidon foi uma grata surpresa, ao lado de Sorento de Sirene. Uma pena que o tempo entre a Terra e Hades não tenha sido explicada e ficado apenas na teoria.

Alma de Ouro não foi lá uma série emocionante. Está acima da série Omega, mas bem inferior a The Lost Canvas. Mas valeu pela nostalgia e rever nossos Cavaleiros de Ouro de volta à ação. Apesar de alguns personagens como Camus de Aquário e Máscara da Morte não receberem o tratamento que mereciam e serem fiascos.

Que o anime merecia mais um cours para manter a prolixidade, merecia sim. Talvez certas coisas no rumo seriam diferentes.

PS: Em todo o caso, valeu pela força e o marketing consciente - e sem paradoxos - para a divulgação da transmissão simultânea em todo o mundo, incluindo Brasil.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Urgente: Kamen Rider Drive ainda não chegou ao último episódio

A última reunião do elenco principal de Kamen Rider Drive

A saga pode ter terminado neste domingo (20), mas Kamen Rider Drive só terá seu último episódio - de fato - no fim de semana que vem. O epilogo está contado como o 48º ou simplesmente está referido como um "The Final Story (Special Edition)" [最終話(特別編)Saishū-banashi (tokubetsu-hen)]. O epílogo, que trará Kamen Rider Ghost, não subtrai de maneira alguma a contagem numérica e nem mesmo acrescenta como um especial à parte da lista regular de episódios. A mesma confusão (que é praticamente exclusiva na tokunet brasileira) aconteceu em Kamen Rider W (Double), Kamen Rider Wizard (com duplo epílogo) e - indo um pouco mais longe nos exemplos - em Uchuu Keiji Shaider. Provavelmente por não se utilizarem das fontes oficiais. Na dúvida, pesquisem aqui e aqui nos sites oficiais da Toei e da TV Asahi, respectivamente, e não tenha medo do tradutor, caso seja o último recurso pra comprovação.

Mas indo ao que interessa, o PENÚLTIMO episódio de Drive...








SURPRISE DRIVE















A luta contra Sigma poderia ter sido mais esticadinha no episódio anterior ou poderia dispensar o epílogo pra fechar o calendário do cours (temporada) de verão. Enfim, curti os momentos finais. O mais engraçado é que Ghost teve uma aparição indiretamente consistente, pois o novo "caçula" dos Riders salvou (?!) o Shinnosuke da queda do prédio. O mais curioso é que ele invadiu o sonho do policial. Algo que deve render no próximo episódio, talvez.

Embora houvesse ali a última batalha de honra entre Shinnosuke e Heart, deu pra se emocionar um pouco. Até pelo bom coração do então último sobrevivente dos Roidmude e pela curta amizade entre eles.

A despedida de Krim (Belt-san) foi um dos melhores momentos deste "final". Mas conhecendo a Toei, isso deve ser temporário, pois ele deve retornar futuramente num Movie Taisen ou Super Hero Taisen da vida, assim como o arsenal e veículos do Kamen Rider. Óbvio pra nós, mas o momento emocionou de alguma forma.

Fiquei feliz com a volta do Professor Harley, mas é uma pena que esta tenha sido sua segunda aparição. Esperava que ele retornasse alguma vez ou outra na série, pois ele passou mais humor do que os próprios colegas de polícia de Shinnosuke.

O mais legal foi a cena final entre Shinnosuke e Kiriko. Os dois coincidentemente (ou não) conheceram o humano que Chase teria copiado a aparência. Fiquei na ponta do sofá quando o herói disse que tinha algo a dizer para sua amada, mas a simples resposta já foi digna pra fechar a saga. Apesar dos relatos sobre o que aconteceu com cada personagem, a resposta entre Shinnosuke e Kiriko ficou em aberto. Aliás, está mais do que óbvio, né? Não é preciso dizer nada. Bem, alguma coisa deve ser acrescentada no episódio final.

Kamen Rider Drive, apesar dos altos e baixos (que deformaram um pouco o rumo por um certo tempo), deixa saudades. Por ser um trabalho de Riku Sanjô, a obra está aquém de chegar ao nível de Kamen Rider W. Poderia ser melhor trabalhado e erros grotescos para qualquer roteiro deveriam ser evitados.

Foi uma boa série no fim das contas e espero ver os pombinhos juntos de vez no futuro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Fansubs de tokusatsu, por favor, não batam de frente com os streamings legalizados

Ultraman X é a série de tokusatsu mais rápida a vir no Brasil

Se há uma coisa que me incomoda, como amante da cultura pop japonesa, é a falta de coerência de algumas fansubs brasileiras. Não vou aqui generalizá-las, até porque - apesar da posição neutra por parte deste blogueiro - devo a elas por divulgarem na garra e na raça séries orientais que jamais vieram pra cá antes de forma oficial/legalizada. Sem elas provavelmente nenhum de nós estaríamos atualizados sobre o universo das séries japonesas de efeitos especiais. Mas é chato quando temos materiais chegando por meios mais rápidos, ousados e práticos (pra não dizer futurísticos) como os serviços de streaming e do outro lado há fontes que mal divulgam, quase ignoram ou fingem não saber como se o tokusatsu estivesse "chegado ao fim" de vez no Brasil ou "tokusatsu não voltará" por aqui. Pleno engano. Tokusatsu está recomeçando no Brasil de forma legalizada desde o fim do ano passado, pra ser mais exato, e percebo que muita gente ainda não se deu conta dessa realidade. Outros teimam em dizer que tokusatsu só tem direitos de exibição "apenas na TV" e se for "voltado para as massas". Outro equívoco absurdo, uma vez que tokusatsu é um segmento como HQs, games e literaturas também são.

Primeiro de tudo, talvez você pode estar dizendo "ah, esse chato quer ser garoto-propaganda destes serviços e quer se aparecer". A minha despretensão é maior quanto o meu apoio aos meios oficiais. Se cito aqui nomes como Netflix e Crunchyroll é porque gosto, consumo e recomendo. Pecado nenhum. Estes são os meios mais cômodos e legais de assistir séries e filmes favoritos disponíveis. Querendo ou não, os fãs das séries japonesas já estão se adaptando a tal alternativa e os demais que ainda não conhecem hão de se adaptar à curto/médio/longo prazo. Isso já faz parte do nosso cotidiano e não adianta fugir da tecnologia atual.

Eu devo ter sido um dos poucos que divulgaram pela tokunet brasileira as estreias das Ultra Series no Brasil desde a vinda de Ultraman Max no Brasil no final de 2014. Aqui no blog frisei em várias oportunidades dizendo que esta série é a sucessora de Madan Senki Ryukendo (exibida entre 2009 e 2011 na RedeTV!), enquanto muitos ainda insistem ou desconsideram o fato tendo ainda a série do Guerreiro Madan como a última em nosso país. Sim, Ryukendo continua sendo o último tokusatsu no Brasil, mas só na TV brasileira. Tá certo que a chegada dos tokusatsus nos streamings é algo ainda recente e parte do público anda bem desatualizado e alimentando uma visão extremamente saudosista. A verdade é que não dá pra relativizar o fato presente no cenário carente do tokusatsu no Brasil. As novidades precisam ser divulgadas e reforçadas entre os fãs e como tais precisamos entender a importância disso.

É daí que algumas fansubs (que aqui não citarei nomes por questões de ética) se aproveitam da falta de informação desta parte do "gráfico pizza" e lançam na cara-dura tais séries que antes nenhuma sub teve interesse de legendar e que estão chegando aos poucos no Brasil pelos serviços. É o caso de Ultraman Leo e Ultraman 80 (Eighty). O mesmo vale para Ultraman X, série que surpreendentemente tirou Jiban do posto de série mais rápida a vir ao Brasil.


Ultraman Leo: um exemplo gringo a ser seguido e reverenciado pela tokunet brasileira

Nenhuma fansub possui contrato pra legendar séries de anime e de tokusatsu. Ok, é até salutar quando são séries japonesas inéditas em um determinado local/país. Até aí não há nenhum problema (com exceção dos próprios estúdios, claro), pois as fansubs servem como divulgadoras de materiais inexistentes e não deveriam ser mais do que isso. Mas a coisa fica bem contraditória quando alguma ou outra sub passa a copiar uma série que acabou de chegar ao Brasil numa plataforma oficial. Parece que todo aquele clamor de anos atrás (no tempo das vacas magras) por um material oficial de tokusatsu (que são poucos por aqui, diga-se) foram jogados no ralo e virou pretexto pra disputar com os meios que a própria "nação tokufã" queria há longa data.

Nem adianta dizer que "ah, não dá pra baixar" ou "tem que ter versão pra download" pois essa desculpa não rola. Pense aí comigo: será que os japoneses estão muito preocupados com esse tipo de alternativa quando possuem tecnologia de gravação nas mãos (considerando que a grande maioria de séries são transmitidas diretamente para a TV local)? Por que então deveríamos nos preocupar quando nós temos plataformas justas que nos permitem mobilidade similar e assistir a qualquer hora/lugar (que tenha internet) pelo on demand? Sabe, não há motivos pra birra e botar defeito nas novas mídias. Seria como um velho tio que ainda não aprendeu a se desapegar do vinil em tempos de CD. Ou mesmo alguém que persiste num VHS em plena era de DVD e Blu-ray. Pois é, em questão de tempo, certos downloads serão obsoletos. Ou melhor, já são devido a pontualidade britânica do simulcast (transmissão simultânea). Aceite.

Eu faço cordialmente aqui uma pergunta pra todos os amigos e companheiros de segmentos da tokunet no Brasil: Não seria mais viável incentivar a assinatura e o uso destes novos meios legais ao invés de simplesmente copiar/disponibilizar para download tais títulos atualmente em vigor no Brasil via streaming? Pois foi o que fez uma fansub gringa especializada nas Ultra Series quando estava prestes a finalizar o projeto para a legendagem da série Ultraman Leo. Neste mesmo tempo a série foi anunciada e lançada na Crunchyroll estadunidense em novembro de 2014. Tal chegada do material por lá (que faz parte do mesmo pacote onde o Brasil e outros países estão incluídos) fez com que a tal fansub cancelasse por conta própria o projeto para a mesma série. Motivo? A equipe não queria bater de frente com algo genuinamente oficial e que deve ser valorizado e consumido pelos fãs locais. Uma atitude louvável e que merece (sem trocadilhos) ser aplaudida e glorificada de pé no Brasil.

Infelizmente aqui no Brasil aconteceu o contrário. Antes da chegada de Leo e Eighty no Brasil (e após o anúncio destas nos EUA, Canadá e Reino Unido), uma certa fansub conhecida na tokunet brasileira legendou apenas os primeiros episódios de cada e até hoje nunca concluiu os "projetos" (as cópias). É preciso que se diga que nenhuma delas chegaram à metade e até a enumeração dos episódios de Ultraman X está errada. Em contrapartida, a Crunchyroll, apesar da janela de poucos meses entre EUA e Brasil (período em que cada série completa precisou ser legendada oficialmente), foi mais rápida e ainda por cima garante qualidade. Tanto áudio-visual quanto de tradução. Detalhe: rapidez e qualidade são coisas exigidas há tempos pelos fãs de tokusatsu no Brasil. Ah, os direitos de Leo e Eighty já estavam garantidos no Brasil quando houve o anúncio no exterior. Não tem desculpa.


Se Kamen Rider Ghost vier ao Brasil pelo simulcast, os episódios poderiam
ser assistidos de forma oficial nas noites de sábado

Gente, está na hora de fazer valer o que muito foi reivindicado pelos próprios fãs de tokusatsu desde os tempos do Orkut pra cá: séries inéditas de tokusatsu no Brasil. Naquela época a compreensão de on demand era inexistente, pois havia uma tal esperança na TV brasileira que até hoje pouco ou nada fiz pela séries do segmento nos últimos 15 anos. Digo mais: mesmo que alguma emissora exiba algum tokusatsu, não será tão rápida e precisa como no simulcast. Tá na hora dos fãs saírem do círculo vicioso dos downloads antes que a cultura da pirataria e a Lei de Gérson (contra as séries licenciadas, é claro) seja despercebidamente incutida nas divulgações de tokusatsu no Brasil. Esse paradoxo de escolha prejudica não só a indústria de tokusatsu como também a possível vinda de novas séries para o Brasil - principalmente via simulcast - e até mesmo a divulgação do tokusatsu para leigos.

Particularmente, além de ser opção, o simulcast é indispensável e seguro para acompanhar séries de tokusatsu, animes e dramas. Ultraman X é a única referência de tokusatsu disponível atualmente através deste meio, via Crunchyroll. O episódio da semana sai todas as terças-feiras pela manhã cedo (uma hora após o final do episódio no Japão). E olha, não durmo sem antes assistir aquele mesmo episódio. É praticamente sagrado. Tem gente que prefere ainda esperar o dia seguinte ou a próxima semana pra ver o episódio ser "lançado" pra download. Não tenho mais porque fazer isso, pelo menos com Ultraman X, uma vez que já tenho um catálogo na palma da mão esperando um simples toque no play para ver os episódios nas horas vagas. Não é questão de vaidade, presunção ou de imposição. Longe disso. Mas sim de necessidade, de incentivo, de agilidade e de praticidade.

Agora acompanhe comigo o seguinte raciocínio: se hoje sofremos com a terrível penitencia de esperar uma sub legendar um episódio de Kamen Rider e Super Sentai, por exemplo, e no máximo uma semana depois termos RAW e/ou legendas, imagine aí se a Toei Company um dia chegar a licenciar esta série para a Crunchyroll. Seria magnifico chegar em casa nas noites de sábado e o episódio já estar lá no serviço, bonitinho, pronto pra ser assistido antes de dormir e acordar no domingo já sabendo tudo o que aconteceu. Um sonho de consumo e acredito que de muitos fãs das franquias por aqui. Sem dizer que os episódios estariam lá pra ver e rever quando quiser. Este up-to-date estaria em maior evidência, considerando que ambas as franquias também são umas das mais populares entre os fãs brasileiros. Um marco e tanto e que merecia também ser divulgado. E aí, o que pesa mais na balança? Pois é, o mesmo acontece hoje com Ultraman X e jamais pensei nessa possibilidade até poucos anos atrás. Esses tokusatsus nos streamings podem até vir a ser o que House of Cards e Orange is the New Black são para os aficionados por séries americanas como Naruto e Bleach são para os fãs de animes. Que tal fazer a experiência, hã?

Repito: sou e sempre serei grato as fansubs enquanto trabalharem como divulgadoras de séries inexistentes no Brasil. Agora, está na hora das mesmas se conscientizarem e seguirem o mesmo exemplo da sub gringa, como citado acima, respeitando (sem pirataria) os novos títulos de tokusatsus que estão e que hão de chegar no Brasil. Sejam novas ou antigas. Não tem porque as fansubs em geral perderem o foco de origem e usarem desculpinhas e ideologias pequenas como se o tokusatsu tivesse valor oficial apenas na TV brasileira. Melhor dizendo, a programação da TV brasileira virou lugar incerto, extinto e superado.

Estamos prestes a voltar ao tempo das vacas-gordas do tokusatsu no Brasil e não só os fãs, mas também todos os segmentos que defendem o tokusatsu devem abrir os olhos, apoiar estas novas mídias e fazer suas partes. Em outras palavras, se você quer que seu tokusatsu favorito vingue no Brasil, valorize o produto oficial do seu herói quando chegar por aqui, mesmo que não seja direto-para-TV e/ou que vá direto para os nichos. A nossa audiência aqui no Brasil por estes meio também contam bastante lá fora, caso não saibas.

E o preço? Baratinho. Preço de banana.

sábado, 19 de setembro de 2015

Gô é o herói mais chato de Kamen Rider Drive e comete babação nos momentos finais

Gô chorando pela morte de seu "amigo"

Está mais que cientificamente comprovado. Gô Shijima (o Kamen Rider Mach) é o personagem mais mala de Kamen Rider Drive. Ele chegou no meio da série como um personagem que deu a impressão de ser algum alívio cômico ao programa, mas o irmão de Kiriko foi se perdendo com o tempo.

O que mais incomodou foi ver sua indiferença sem fim contra Chase por ser um Roidmude. O Rider androide sempre suportou a rejeição de seu colega que não perdia a oportunidade de rebaixá-lo. O ódio de Gô pelos Roidmude era tanto que ele sempre dizia algo como "jamais seremos amigos".

Foi só Chase se sacrificar pelos seus amigos que ele Gô passou a valorizá-lo. Mal sabe que perdeu um grande amigo. E era assim que ele considerava Gô, mesmo sofrendo "racismo" por parte dele. Agora acompanhe o raciocínio: depois da luta contra o seu pai Banno, Gô passou a chorar por ele. Tudo bem até então. Mas chamá-lo de "amigo" depois de tudo o que fez é um baita de um remorso. Bem diferente de arrependimento. Seria mais convincente Gô se sentir mal por isso do que dizer o que nunca foi para o Chase.

Tá certo que Heart e Medic sofreram com a morte do antigo companheiro e fizeram memória, tanto como inimigo quanto aliado. Foi questão de honra e é justamente compreensível. Mas a coisa não pegou pro lado de Gô de jeito nenhum pra quem rejeitou seu companheiro de luta o tempo todo, enquanto era vivo, por não ser humano.

Aliás, Chase era muito mais humano que qualquer outro personagem da trama. Não por ser o meu favorito, mas pelo grande valor que se mostrou nesse tempo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Booska, o mascote da Tsuburaya, ganha reprise em outubro no Japão

O monstrinho Booska

O bloco Tsuburaya Gekijô, continua nas madrugadas de domingo para segunda na programação do canal aberto TOKYO MX. A partir do dia 4 de outubro, das 24:30 às 25:00 JST, o bloco será ocupado pela reprise da série Kaiju Booska.

Kaiju Booska é uma famosa sitcom (comédia) de tokusatsu que foi produzida pela mesma "casa" da Família Ultra. A série de 47 episódios apresenta um pequeno e amigável kaiju (monstro) de tamanho humano que aparenta ser de um cruzamento entre um urso de pelúcia e uma girafa (?!). Ele era uma iguana até que seu dono o alimentou com experimentos. O mascote é uma criação do saudoso Eiji Tsuburaya e esteve ao ar originalmente nas noites de quarta-feira da Nippon TV, entre 9 de novembro de 1966 e 27 de setembro de 1967. Portanto, contemporâneo de Ultraman, que havia estreado meses antes.

O Tsuburaya Gekijô é um bloco veterano que está no ar pelo canal UHF da região metropolitana da capital japonesa desde abril de 2005. De lá pra cá reprisou semanalmente diversos clássicos do estúdio como Ultraman, Kaikidaisakusen, Ultra Seven, Mirrorman, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace, Fireman, Jumborg Ace, Ultraman Neos, Aztecaser e Ultraman Tarô.

Em janeiro último, para comemorar seus 10 anos, o Tsuburaya Gekijô migrou-se para o horário atual e lançou uma dobradinha com as reprises de Ultra Q, Neo Ultra Q e mais tarde a volta de Kaikidaisakusen (que terminou no último dia 13).

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Final do drama de Death Note diz por si tudo o que a série realmente é

O trio principal da versão live-action para a TV

O d(o)rama de Death Note, ao lado de Ultraman X, foram as grandes surpresas que chegaram aqui no Brasil pela Crunchyroll nesta temporada de verão (japonês) que está chegando ao fim. A versão live-action para a disputa de inteligência entre Light Yagami contra L soube prender no sofá a quem acompanhou semanalmente nestes dois meses, com um rumo que lembrou alguns eventos do mangá/anime e momentos que jamais aconteceram originalmente. O que não é ruim, entenda.

A trama estava tão irresistível que foi impossível não esperar o fim da noite desta quarta-feira (16) para acompanhar o último episódio de Death Note. Nem mesmo a atípica janela de distribuição da Nippon TV para o streaming (que foi de três dias depois do Japão) tirou a ansiedade. O preview do final não tinha dado muitos detalhes ou cenas que dessem algum resquício de pista. Deu pra entender ao assistir.

Foi basicamente centrado numa mesma cena que seria um encontro decisivo entre Light e Mello (aquele que possui Near). Tal cena foi estendida por longos minutos, só que a resolução estava tão empolgante que nem dava pra notar o tempo passar. Foi surpreendente e de longe um dos melhores episódios do TV drama.

O legal é que L, que já havia falecido, mostrou-se nos últimos momentos que ter uma certa compaixão por Light e uma esperança de que seu amigo (?!) fosse inocente e não tivesse a utópica ideia de mudar o mundo com suas próprias mãos. Uma "falha" em meio ao calculismo do detetive. Durante a exibição semanal curti bastante a interpretação de Kento Yamazaki como L. Pode não ser um grande nome, mas mostrou ter um enorme potencial como ator. Espero vê-lo em breve em alguma série de Kamen Rider. Ele é perfeito para viver um anti-herói e possui um charme que atrai o público feminino.

A interpretação de Masataka Kubota também foi boa, apesar de não ser superior ao Yamazaki, mas transmitiu bem a evolução gradativa de personalidade de Light, que antes era um simples universitário que não tinha muitas pretensões com o caderno da morte e que apurou cada vez mais sua sagacidade. Bem mais próximo do Light que conhecemos. Aliás, a cena final de Light foi clichê, mas nada que venha a roubar o mérito conquistado até aqui. O destino de Light acabou sendo mais surpreendente que imaginávamos.

Teve também a Hinako Sano como a Misa Amane que roubou várias vezes cenas por causa de sua docilidade, apesar de sua participação ter ficado uma fração a mais que a média. Não mais que isso. Já Mio Yuki se saiu bem, mas nada de tão surpreendente, apesar de interpretar dois personagens.

O drama de Death Note já deixa saudades. Não é de dar uma taquicardia pra quem já conhece a obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, porem o efeito pode causar em algum ou outro espectador que tenha conhecido o título através do live-action. Seja amante ou não de animes e mangás. Curti também as BGMs (fundo musical) que são bem caricatas em nada reclamei ao ouvi-las a exaustão. São elementos que ajudaram também a caracterizar o programa.

Quem assistiu o episódio provavelmente deve ter ficado até o final e viu o teaser do novo filme de Death Note que passará nos cinemas japoneses em 2016. É o mesmo que está na internet. Vale a menção que é a continuação direta dos filmes anteriores e abordará um elemento jamais explorado nas demais versões.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Masked Rider, o tokusatsu mais idiota da Saban, completa 20 anos

O Cavaleiro Mascarado com sua Electro Sabre

Em meados de 1995, a TV brasileira vivia a febre do anime Os Cavaleiros do Zodíaco. Ao mesmo tempo em que acontecia a era de prata das séries tokusatsu por aqui com reprises de algumas séries na Record (como Jaspion, Changeman, Flashman, Goggle V, Machine Man e Sharivan), além de exibições inéditas na extinta Rede Manchete. A parceria entre a emissora dos Bloch com a também encerrada distribuidora Tikara Filmes (antiga licenciadora do sr. Toshihiko "Toshi" Egashira que atendia pelo nome Everest Vídeo) trazia títulos até então inéditos como Winspector, Patrine, Solbrain e Kamen Rider Black RX (leia mais aqui). Este último é nada mais e nada menos que a continuação direta de Kamen Rider Black, que jamais teve seu último episódio exibido por aqui.

Ao mesmo tempo que rolava as aventuras inéditas de Issamu Minami (Kotarô Minami no original) aqui no Brasil, nos EUA acontecia a febre mundial chamada Mighty Morphin Power Rangers (adaptação dos Super Sentais Zyuranger, Dairanger e Kakuranger). Claro, o fenômeno da Saban Entertainment também já estava instalado no Brasil e fazia uma certa "rivalidade" com Seiya de Pégaso e sua turma. Ainda na terra do Tio Sam, havia outra produção da Saban intitulada VR Troopers (adaptação dos Metal Heroes exibidos no Brasil: Metalder, Spielvan e Shaider) e mais alguns títulos da DIC Entertainment como Super Human Samurai (Gridman) e Os Jovens Guerreiros Tatuados de Bervely Hills (produção original americana).

Bem, em meados daquele ano, Haim Saban estaria planejando uma nova adaptação americana de um outro gênero clássico da Toei Company: Kamen Rider. O título escolhido pelo egípcio (naturalizado israelita/americano) foi a série Kamen Rider Black RX. Sim, justamente a série que estava passando no Brasil em 95. Tivemos muita sorte de acompanhar a série original antes de ver o tragicômico resultado final no ocidente. Aliás, não apenas esta foi usada, mas também cenas de ação dos filmes Kamen Rider ZO (lê-se: Zettô; 1993) e Kamen Rider J (Jay; 1994) também estavam presentes. Foi então que surgiu a série Saban's Masked Rider.


Masked Rider ao lado do Ranger Branco

A primeira aparição do primeiro Rider norte-americano se deu num episódio-triplo de MMPR intitulado "A Friend in Need", situado no início da terceira temporada. A primeira parte foi exibida no sábado, dia 2 de setembro de 1995 e as outras duas no sábado seguinte, dia 9. Indiretamente, pode-se afirmar que este foi um segundo crossover entre Rider e Sentai, porém non-cânon. O primeiro, dentro da cronologia oficial japonesa, se deu em 1978 no filme JAKQ vs. Gorenger. Outro encontro similar foi em 2009 entre Samurai Sentai Shinkenger (versão original de Power Rangers Samurai/Super Samurai) e Kamen Rider Decade. Sendo este o primeiro oficialmente e direto entre as duas maiores franquias da Toei.

Voltando sobre Masked Rider: tudo começa quando Alpha 5 descobre que seu planeta natal, Edenoi, é atacado por Conde Dregon (contraparte americana de General Jark, de Black RX) e sua tropa maligna. Dregon seria um rival de Lord Zedd, inclusive. Para ajudar Alpha, os Rangers - menos Kimberly que estava doente - partem para Edenoi e procuram ajudar o Rei Lexian e seu povo. Ao chegarem por lá, se deparam com o Príncipe Dex e seus amigos. O jovem líder pensa que os visitantes são invasores de Dregon e ativa sua Ectophase (transformação) para se tornar Masked Rider (ou Cavaleiro Mascarado na dublagem clássica perdida) e atacá-los. Depois que o mal-entendido é resolvido, Dex se alia ao grupo liderado por Tommy e eles partem contra a horda de monstros do tirano. Dregon, ao ver a partida dos heróis multi-coloridos (como assim os chamava), decide investir seus ataques contra a Terra. Ao saber disso, Dex persegue Dregon e vem ao nosso planeta para nos defender contra as forças do mal (Uhum). Sem dúvidas, esse é um dos melhores episódios de Power Rangers ou senão melhor do que a série própria da versão americana do "filho do sol".


A Família Stweart

O primeiro episódio de Saban's Masked Rider - exibido pela primeira vez no bloco Fox Kids (da Fox americana) em 16 de setembro de 1995 - começa com a chegada de Dex à Terra, na cidade de Leawood. O jovem herói é adotado por uma família multiétnica, os Stewarts (equivalente à Família Sahara). Eles são: o pai de família - gorducho - branco Hal (Shunkichi Sahara), a mãe oriental Bárbara (Utako), a loirinha adolescente Molly (Hitomi) e o afro-mirim Albee (Shigeru). Os Stewart ficam cientes da missão de Dex na Terra e também adotam o mascote (sem-graça) de Dex chamado Ferbus. Curiosamente, há um episódio em que Albee se transforma em Masked Rider, mas apenas num sonho.

Dex Stweart (como assim passa a adotar o sobrenome de sua família na Terra) usa a Ectophase para se transformar em Masked Rider. Seus poderes foram herdados de geração em geração e são visados por Dregon afim de usá-los para o mal. Sua fonte de transformação é o cinto Ecto-Accelerator (Sunriser), que gera a espada de luz Electro Sabre (Metalion/Revolcane). Seu golpe (não se assuste, por favor) é o Rider Kick (que foi rebatizado na dublagem como "Chute Masked Rider"). Masked Rider também possui dois veículos falantes: a moto Combat Chopper (Acrobatter) e o carro Magno (Ridron). Ah, é preciso que se diga que eles tem formações feita pelos americanos que são medonhas e chatas pra caramba, apesar de rápidas.


"Ectophase, ativar!"

Dregon - que é tio de Dex - conta com o auxilio dos seus vassalos: Nefaria (Maribaron), Cyclopter (Gatezone), Dupla-Face (Bosgan), Gork (Gadorian) e do robozinho Fact. Além de seus soldados Commandoids (Chaps), Dregon envia o trio de monstros atrapalhados chamados Maggots (que são reutilizados no episódio 16 de Power Rangers no Espaço, na Taverna Onxy). Semanalmente usa seus invasores para atrapalhar a vida do herói que veio do espaço. (Uhum 2)


Robo (hein?!) Rider
Num determinado arco duplo (episódios 7 e 8), Donais (um dos amigos de Dex que também aparece em Power Rangers) vem à Terra para uma missão especial. Porém é atacado e sequestrado por Dregon. Em seguida é transformado em Robo Rider - contraparte de Shadow Moon! Ironicamente o vilão adotou o nome de uma das formas de RX, que, por sinal, sua contraparte americana deu o nome a este duplo episódio. Após um desfecho que não teve pretensão nenhuma de causar impacto ou emoção nos telespectadores-mirins (como foi o caso de RX no Japão), Donais recobra sua consciência e entrega a Dex a fonte para ele adquirir a forma Super Ouro (Super GoldRobo Rider!). A última aparição de Donais foi no episódio 21 onde ativou um upgrade nos poderes do herói para ele se tornar Super Azul (Super BlueBio Rider). Como Super Ouro, Dex usa a pistola laser Ecto Ray como o golpe fatal de misericórdia. Como Super Azul, o herói usa o Sabre Azul para detonar os inimigos. Chopper também sofre influências destas transformações respectivas.

A série quase (eu disse "quase") teve um final no episódio 37, conhecido como "The Invasion of Leawood". Lá, Dex se depara com o ataque de Brutacon (Grandailas) que viria a transformar Leawood em pó. (Que linguajar mais "sabanistico", hein?!) Mas pra não ficar sozinho, Dex conta com a ajuda dos 10 Guerreiros Masked Riders. São eles: Líder Guerreiro Masked Rider (Kamen Rider Ichigô), Guerreiro Masked Rider Anônimo 1 (Kamen Rider Nigô), Comandante Guerreiro Masked Rider (Kamen Rider V3), Guerreiro Masked Rider Anônimo 2 (Riderman), Masked Rider V3 (Kamen Rider X), Riderman (Kamen Rider Amazon), Masked Rider X (Kamen Rider Stronger), Masked Rider Amazon (Skyrider), Strongman (Kamen Rider Super-1) e Masked Rider Z-Cross (Kamen Rider ZX [lê-se: zê-cross]). Com a intenção de referenciar os Showa Riders - e trocar alguns de seus nomes - o episódio foi mais um daqueles em que Issamu Minami viraria "dublê" de Dex. Este é um dos episódios onde se encontra erros facilmente. Em um dos takes, Dex aparece ao lado do ombro de "Shadow Moon" e "Bio Rider" americanos. Nas cenas japonesas escapam breves aparições de Reiko Shiratori, Joe Kasumi e Kyoko Matoba (outros personagens de Black RX) ao lado dos Riders "gringos" (por que será, hein?). Além de Hitomi e Shigeru numa outra cena. Curiosamente, anos mais tarde, a frase "I am Amazon" foi usada como meme na internet entre o fandom de tokusatsu nos EUA. Especialmente quando Skyrider original se autodenomina como "Amazon".



Masked Rider é uma série constrangedora e digna da pior vergonha alheia possível para uma série americana de tokusatsu. Mighty Morphin Power Rangers, apesar das adaptações e possuir certos furos, foi dignamente uma série marcante para sua geração e arrasta sucesso até hoje. VR Troopers é uma série assistível, mesmo com a tentativa tosca de tornar a série mais séria e "adulta" que a dos garotos de Alameda dos Anjos. Mas Masked Rider foi o cúmulo de todo o nonsense para as adaptações da Saban. Tá certo que a ideia de fazer uma série menos violenta possível seja compreensível, mas a coisa foi de mal a pior.

Pense aí num sabre de luz que atira um raio laser ao invés de perfurar o ventre do monstro. Quer mais? Então pense em personagens mais mongolóides que Bulk & Skull (eu gosto da dupla, ok?) ou que chegaram a superar Percy (de VR Trropers) em quesitos de imbecilidade. Voltando pras cenas e edições, o que dizer então de "RX" lutando contra vilões de ZO e J? O resultado disso é a edição mais mal feita e descarada possível. Pois é, até de costas os Riders noventistas apareciam. Mais visivelmente foi naquele episódio onde o Masked Rider se torna gigante. Olha, até o Chopper teve uma versão desconhecida. (Por que será, hien? 2) Ah, melhor nem falar nada, né? Masked Rider ficou gigante com a ajuda de um ETzinho anão. (Glump!) E os planos de Dregon? Um deles foi ter que fazer os cidadãos de Leawood dançarem direto. Mais? Um gato sendo transformado numa espécie de bomba. Bem, pra ser menos "perverso", cito a hilária cena onde "Shadow Moon" vai para a escola e é confundido com festival de cosplays. E por aí vai sendo empurrados absurdos por cima de mais absurdos que puder imaginar.


ZO e J fizeram suas "participações especiais" em Masked Rider

Masked Rider é tão mal feito, mas tão mal feito de um jeito, que merecia concorrer ao Framboesa de Ouro. Não é a toa que virou "ovelha negra" das series tokusatsu da Saban. Pra você ter uma ideia, a série jamais parou na Netflix como a franquia completa de Power Rangers ou até os spin-off VR Troopers, Beetleborgs e As Tartarugas Ninja: The Next Mutation. Nem sequer a Shout! Factory ousou anunciar Masked Rider para algum lançamento home-video e sabe-se lá se isso acontecerá algum dia.

E no Brasil, hã? Masked Rider apareceu pela primeira vez numa manhã de domingo na Globo, em 1996, onde a emissora carioca copilou o lendário (sem aspas mesmo e tem meu respeito) episódio-triplo em um só. Decepando as cenas trapalhadas de Bulk & Skull que foram inúteis para o arco. Na época, todos os que assistiam Kamen Rider Black RX tomaram um baita de um susto ao ver o herói ao lado de Tommy e cia. Mas quem já acompanhava o início da imprensa especializada em cultura pop japonesa (revistas como a Herói, por exemplo) já manjava da "malandragem" (com trocadilho) e tinha caído a ficha de que a Saban já havia mexido no material licenciado no Brasil pelo Toshi.

Por aqui ficou acertado que Black RX teria direitos de exibição na TV aberta enquanto Masked Rider seria exibido na TV paga. RX foi exibido na Manchete até meados de 1997, quando ocupava a faixa das 20h. Já Masked Rider estreou em 1996 na extinta Fox Kids. Masked Rider ia ao ar inicialmente aos domingos na faixa do meio-dia e meia, e depois ganhou exibição diária às quatro da tarde, no ano seguinte. Voltaria a ser exibido em meados de 2002, também aos domingos na hora do almoço, antes do canal mudar de formação para o Jetix.

Por conta do acerto entre Tikara e Saban, Masked Rider jamais parou num canal de TV aberta brasileira. E nem deveria, pois a comoção seria bem maior - e com mais sentido - do que na estreia de Troopers ou até pior que a sonora hateria nonsense contra os Rangers americanos. Resumindo, seria um convite ao boicote.


Conde Dregon e Nefaria

O (aprendiz de) herói Dex Stweart foi interpretado por Ted Jan Roberts (ou simplesmente T.J. Roberts). Antes de Masked Rider, o ator ficou conhecido como Magic Kid, que teve dois filmes, exibidos por aqui pela Record nos anos 90. Em Power Rangers, os atores Ken Merckx e Jennifer Tung haviam apenas dublado seus respectivos personagens - Dregon e Nefaria - enquanto os vilões apareciam apenas em cenas japonesas de Black RX. Mas atuaram em cenas originais durante a série. Aliás, Tung interpretava com trejeitos bem esquisitões e se contorcia. Sensualizar a vilã? Dar um toque diferente da Maribaron? Talvez, mas não era nada atraente. Canastrice pura, diga-se.

A série foi dublada pela VTI (a mesma de Gavan e Os Simpsons), do Rio de Janeiro. Lá o Rider teve a voz emprestada por Paulo Vignolo, que dublou o Skull em Power Rangers. Como o herói-título, marcou com a enfadonha frase "É preciso mais do que isso para derrotar Masked Rider", que dizia quase sempre após destruir o monstro da semana. Na dublagem clássica da terceira temporada de Power Rangers, Dex foi dublado por Felipe Grinnan, que ficou conhecido como T.J. em Power Rangers Turbo e Power Rangers no Espaço, o Mestre Ryukendo em Ryukendo, V-Mon em Digimon 02, Nozomu Taiga/Ultraman Zero no filme Ultraman Saga, etc. O saudoso dublador Paulo Flores, a clássica voz de Lord Zedd e de Kubulai em Shaider, emprestou sua voz ao Dregon. Mas foi foi substituído por Maurício Berger.


O mascote penetra Ferbus

É preciso que se diga: na tokunet brasileira sempre rola algum piripaque dos "anti-Saban" quando surge o termo "Masked Rider", até mesmo nas primeiras séries Heisei Kamen Riders. Isso nada tem haver com a influencia americana, mas sim da própria Toei quanto à romanização do título da franquia em inglês.

É preciso que se diga 2: pra não dizer que "os americanos não sabem fazer tokusatsu", veja aí produções mais recentes como o filme Círculo de Fogo e o a série Kamen Rider: O Cavaleiro Dragão (adaptação de Kamen Rider Ryuki). Tiveram boas histórias e dão um "shut up" tranquilamente em qualquer preconceito ou xenofobia que venha a surgir do acaso na tokunet. Como diz uma canção de Walter Franco (cantor da nossa MPB): Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.





terça-feira, 15 de setembro de 2015

Chase morre e não luta por seu amor em Kamen Rider Drive

Os últimos momentos de Chase, ao lado de Gô

Apesar dos altos e baixos que a série Kamen Rider Drive teve há algum tempo atrás, teve um personagem que sempre defendi e admirei. Chase teve suas primeiras aparições na trama com uma promessa misteriosa que ficou bem na vista. Com o tempo mostrou o seu valor como um grande personagem, sendo bem mais que o outrora Kamen Rider Protodrive, superando o domínio dos Roidmude e tornando-se o Rider de apoio, o Kamen Rider Chaser.

Já era esperado a morte de Chase desde as publicações prévias sobre os últimos episódios da trama dominical. Eu esperava que Chase morresse como um herói na luta contra o terrível Tenjuro Banno (Kamen Rider Gold Drive). E foi assim mesmo. Só que os últimos momentos que mais chamaram atenção foi - sem dúvida alguma - sua paixão platônica por Kiriko. Deu aquela apreensividade clássica de um J-drama. Mas Chase resolveu primeiro analisar o que ele já suspeitava: os sentimentos ainda não declarados entre Shinnosuke (Drive) e Kiriko.

Penso que Chase poderia causar um pouco mais de emoção se ele lutasse um pouco mais pelo coração de Kiriko. Tudo bem que ele era androide e um Roidmude, mas tinha sentimento. Isso já conta alguma coisa. Por ter um bom coração resolveu não apelar e lutar para proteger o sorriso de sua amada pra que ela fique com seu rival. Meio estranho pra quem nunca passou por situação parecida, porem não deixa de ser compreensível, uma vez que seu amor jamais seria correspondido.

Não digo que o modo como Chase levou sua tristeza não foi ruim para o roteiro. Pelo contrário, foi emocionante e foi divertido. Poderia ser ainda mais se uma rivalidade ou uma complicaçãozinha fosse acrescentada no ingrediente. E quem não ficou na curiosidade pra saber como seria, né? No mais, deu pra perceber que Chase foi um grande personagem e estava na torcida pra que ele ao menos declarasse seus sentimentos. Fora isso foi um forte aliado de Shinnosuke na luta contra os Roidmude e fez sua parte como quem queria ser amigo de (Mach), que sempre o rejeitou por ser um Roidmude.

Chase se vai, morreu como herói e deixou uma marca em Kamen Rider Drive. Provavelmente não está descartada a possibilidade dele estar na mira dos fanservices da Toei pra ressuscitar no próximo Movie Taisen, em dezembro que vem nos cinemas japoneses.

domingo, 13 de setembro de 2015

"Imposto da Netflix" não salva as TVs por assinatura da crise

A primeira série original da Netflix, House of Cards

Está sendo um final de semana bem conturbado na internet quanto ao tal "imposto da Netflix". O termo está sendo usado como sinônimo do texto-base aprovado última quinta-feira (10), na Câmara dos Deputados, que prevê tributação sobre serviços como Netflix, Spotify e lojas de apps. A alíquota mínima proposta sobre o ISS (Imposto Sobre Serviços) será de no mínimo 2%, caso seja aprovado no Senado nesta semana e depois sancionado pela Presidente Dilma Rousseff. A taxa periga ser maior dependendo das necessidades da tal tributação.

Eu escrevi há alguns dias atrás aqui no blog sobre a regulamentação que o governo planeja fazer sobre a Netflix e mais WhatsApp, YouTube e Skype, que está tentando atender a pressão das operadoras de TV por assinatura e também de telefonia. No texto eu frisei que tais serviços não prejudicam e servem para a concorrência direta e específica de tais serviços. Sobre a Netflix e demais similares, elas nunca e jamais foram criadas para bater de frente com as TVs por assinatura. Como também não é o caso agora.

O problema das TVs por assinatura é o próprio imposto empregado em seus pacotes. Tornando cada vez mais caras e inacessíveis diante à atual crise econômica que o país enfrenta nos últimos meses. Tal imposto sobre os serviços de streaming e aplicativos não salva as TVs por assinatura da crise. No mais, elas devem se adaptar ao problema e criar pacotes mais acessíveis e justas para seus assinantes. Ou do contrário todos ficam no mais no mesmo. Logo a Netflix e serviços que estão na mira do ISS são tecnologias e essa imposição são totalmente desnecessárias, visto que outros países não adotam esse tipo de cobrança para os mesmos. Além do mais, esta taxação é abusiva, anti-democrática e fere diretamente o Marco Civil da internet que promove a inclusão digital. Ou do contrário, seremos obrigados a pagar tributos do próprio ar que respiramos. Não é com tributos por cima de tributos que a crise será resolvida.

Eu espero que esta pauta seja muito bem abordada e discutida entre os senhores senadores e seja resolvida de forma que todos os pontos sejam minunciosamente analisados. Do contrário será uma derrota para todos os lados, inclusive para o próprio governo que aprovou a lei que garante direitos sobre o uso lícito da rede. Um absurdo.

Como consumidor do serviço, digo não ao ISS. O povo merece respeito.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Por um triz não tivemos um Max alternativo em Ultraman X; ou melhor, tivemos sim

Já era esperado que Ultraman X investisse em aparições de personagens de outras séries da Família Ultra e sem se importar muito com o lance dos multi-versos. Mas quanto aos heróis,

O crossover entre Daichi e Touma em
Ultraman X
além do Ultraman Zero, um dos primeiros a aparecer depois de meros episódios isolados (que foram muito bons, inclusive), é o Kaito Touma (interpretado por Sota Aoyama).

O alter-ego do herói-título Ultraman Max (o sucessor de Ryukendo nas séries de tokusatsu exibidas no Brasil) teve uma aparição um tanto estranha e sem explicações. Por ainda não sabermos qual é a proposta da Tsuburaya em relação à mitologia em que se situa a atual série, dava pra ter uma impressão de que aquele Kaitô Touma era alternativo. Algo que lembrou Kamen Rider Decade. De início, Kaitô era referido como "Dr. Touma" e era um cientista que estava criando uma armor para X com os poderes do clássico vilão Zetton (que foi um dos monstros desta semana). O mais estranho é que Touma estava inteligente demais para os padrões e dizia conhecer o pai de Daichi há cerca de 15 anos. Mas nesse tempo, Touma era apenas um civil e ainda não tinha sido agraciado para ser o hospedeiro do Max.

Mas isso foi justificado no meio do episódio, pelo menos em partes. O tal Dr. Touma era na verdade o Alien Sran Quila (que apareceu pela primeira vez na série do Max) e planejou uma emboscada contra o caçula da Família Ultra. O verdadeiro Touma estava investigando as ações do malfeitor. Até aí tudo bem, mas será mesmo que ninguém do UNVER tinha percebido ou feito uma vistoria sobre o tal pseudo-cientista? Bem estranho, não? Enfim, a aparição de Touma/Max não teve lá grandes referencias. Mas também não chega a ser um fanservice. Aliás, foi um tributo ao décimo aniversário do Ultraman vermelho e seu auxílio foi de suma importância para ajudar a livrar X do perigo, uma vez que estava usando um armor sabotado pelo Sraniano.

Foi um bom episódio e pode se considerar como nostalgia para o antigo público que acompanhou a série Ultraman Max entre 2005 e 2006. O mais curioso é que Aoyama está atualmente com 35 anos (fará aniversário no próximo dia 17) e não envelheceu nada de dez anos pra cá. Está do mesmo jeito. É como se Touma tivesse viajado no tempo usando o uniforme da DASH.

Uma pena que não tocou a instrumental da abertura do Max, mas seu retorno contou muito, apesar de sem muitas explicações.

PS: Os efeitos especiais do Max de 2015 estão melhores que do Max de 2005.


Max e X juntos no episódio desta terça (8)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pokémon foi e sempre será uma nostalgia promissora

A dupla inseparável Ash e Pikachu

Confesso que Pokémon (apesar de muitos leigos em minha volta pensarem que anime é tudo a "mesma coisa") não é lá um anime favorito meu. Mas gosto das primeiras temporadas. Lembro como se fosse ontem quando a Record anunciou aquela atração que antes tinha sido conhecida mundialmente por aquele trágico episódio proibido que levou centenas de crianças para os hospitais do Japão.

Engraçado é que nas vésperas da estreia já havia uma certa resistência por aqueles que não vão com a cara das animações orientais. Não me esqueço, por exemplo, de uma noite em que Datena voltava de uma de um intervalo comercial, no Cidade Alerta, que havia passado uma chamada da estreia daquele que seria um novo anime de sucesso. Lembrando aquele caso, o apresentador disse: "A Record vai passar isso?!". Mas logo seguiu em frente com o seu famigerado noticioso policial e deixou pra lá.

Pokémon chegou fazendo burburinho no Brasil, assim como no Japão, EUA e demais países por onde passou. A faixa das onze da manhã era obrigatória, pois o episódio do dia era o assunto principal na roda de amigos na escola. Não demorou muito para que Pokémon virasse uma febre nacional. A mania gerou vários produtos nas lojas que puder imaginar. Sucesso similar ao clássico Os Cavaleiros do Zodíaco. Rendeu até uma revista oficial, a Pokémon Club, pela Editora Conrad no começo do ano 2000. Na época os monstrinhos de bolso estavam ainda em pleno auge, com os então inéditos episódios da segunda temporada e antes de sofrer com o concorrente Digimon.

O sucesso era tão estrondoso que a Record usava o título da série em passagens de programa nos breaks comerciais. Se duvidar, estavam lá ainda depois das nove da noite. Pra se ter uma ideia, num especial de natal da temporada original da Escolinha do Barulho teve uma citação bacana e criativa. O professor Miele (aquele apresentador do programa Cocktail) perguntou ao aluno Armando "Sambarilove" Volta qual o nome do anime de maior sucesso da Record. Sem saber o nome, Volta deu de presente a ele um baralho de cartas e Miele se lembrou que jogava poker com seu irmão. Contando a história, Miele disse que seu irmão havia esquecido o nome do jogo e respondeu assim: "É poker, irmão". (- "Sambariloooooooove!"). Assim já tendo a resposta com aquele jeitinho malandro.

Sobre o desenho, Pokémon era divertido e bem inocente. Tem personagens carismáticos que fazem o espectador se rolar de rir. Quem nunca disse "Pikuchu (ou qualquer outra criatura), eu escolho você" ou mesmo aprendeu e ainda diz de cor e salteado o lema da Equipe Rocket, hein? Pokémon tinha também seus momentos dramáticos dignos de um Supercampeões, por exemplo. O que é mais bacana é a amizade bonita entre Ash (Satoshi no original) e Pikachu. Ambos tiveram alguns momentos que arrancavam lágrimas de quem via e fazia até o mais viril dos humanos ter seu coração derretido como manteiga.

Por mais que os leigos dissessem e tentassem convencer os país da geração do terceiro milêncio de que aquele programa era "violento" e "coisa do demônio", quem manjava daquilo de fato sabia que Pokémon ensinava a persistência, a determinação, a amizade, e tantos outros pontos positivos que são encontrados fáceis numa análise básica.

Depois veio Digimon na Globo e minha empolgação e atenção foram voltadas pra aquela nova série. Não por ser algo do momento, mas porque as histórias eram visivelmente mais sérias e maduras se comparadas ao Pokémon. Visivelmente pra quem parava mesmo pra assistir ambas as séries e entendia os conceitos, eis o detalhe. Continuei acompanhando Pokémon após as duas primeiras temporadas, mas não com aquela assiduidade de antes, até parar de vez. Sempre numa reprise ou outra no Cartoon Network e na RedeTV! eu parava, quando podia, pra ver aqueles clássicos episódios que marcaram minha infância/adolescência.

Pokémon pode não ter mais aquele boom de antigamente, mas seu sucesso ainda é garantido no mundo por conta de seus produtos, jogos e também nos novos Pokémons que atualmente são bem mais que 150 espécies. E atende muito bem aos fãs e nichos da série.

Enfim, o bom e velho Pokémon clássico está de volta. O sucesso está em alta nos comentários das redes sociais. Nada melhor do que voltar no tempo e dizer "Netflix, eu escolho você!". Falta acontecer o mesmo com as temporadas completas de Digimon Adventure.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ultraman Max, o primeiro tokusatsu da era pós-Ryukendo no Brasil

Max está disponível oficialmente no Brasil desde 2014

Você é daqueles que pensam que a série Madan Senki Ryukendo (2006) ainda é o último tokusatsu exibido com direitos no Brasil? Então você está redondamente enganado. Ele continua sendo o último a ter sido lançado, mas na TV brasileira (mais precisamente em 2009 na RedeTV!). Estamos vivendo novos tempos e novas mídias oficiais estão aí como alternativa, em fase de ascensão e salvando o mercado de séries japonesas ao redor do mundo. E para manter esse legado vivo, presente e de forma legalizada, a Tsuburaya Productions vem distribuindo internacionalmente algumas séries de sua maior franquia de tokusatsu e também uma das maiores e melhores do Japão.


O pioneiro da nova geração Ultra no Brasil

A primeira desta leva é o Ultraman Max (2005-06) que está disponível em nosso país pelo serviço de streaming Crunchyroll desde o dia 20 de novembro de 2014. (NOTA: a série foi lançada primeiramente pela versão americana do serviço em 14 de outubro do mesmo ano) Pra quem ainda nunca ouviu falar, a Crunchyroll é uma das maiores plataformas de on demand ao lado da Netflix (onde lá estão oito dos recentes filmes da Família Ultra). O acervo da Crunchyroll (ou "Crunchy" para os íntimos) é calcado em animes e J-dramas. Ou seja, direcionado para os aficionados por séries japonesas, além de lançamentos. Em sua grande maioria com produções recentes e atuais lançados por simulcast (transmissão simultânea) e até algumas séries antigas. Ambos os serviços servem como TV na internet, podendo acessar, escolher programas e assistir a qualquer hora e lugar (que tenha internet) apenas num simples clique, com comodidade e mobilidade. Sem contar que os custos são irrisoriamente acessíveis. Ah, e o que é melhor: Ultraman Max pode ser visto sem aquele relógio zombeteiro no canto da tela. Além dele, também estão disponíveis no Brasil, através da Crunchy, as séries Ultraman Mebius, Ultraman LeoUltraman 80 (Eighty), além do novíssimo Ultraman X - exibida todas as terças-feiras a partir das 7h30 da manhã. Vale mencionar também o possível lançamento da série inédita Garo, em breve na Netflix, como outro tokusatsu que veio após a vinda do carismático Guerreiro Madan nas nossas telinhas.


O enredo


A equipe DASH

"Século 21... Desastres naturais têm ocorrido em todo o mundo. Além disso, monstros os quais pensávamos serem criaturas imaginárias também começaram a aparecer. Para lidar com essa ameaça, as Nações Unidas criaram a FDU, a Federação de Defesa Unida. E sua equipe de elite é o time de combate a monstros, a DASH."

A história se passa em um universo paralelo aos Ultras da era Showa. Alguns monstros conhecidos das séries anteriores aparecem como Eleking, Red King, Pigmon, King Joe, etc. Neste mundo alternativo, Ultraman Max veio diretamente da Nebulosa M-78, assim como os demais gigantes prateados. Na Terra, um grupo de defesa denominado DASH (Defense Action Squad Heroes) luta contra monstros gigantes que aterrorizam o nosso planeta (ou seria Tóquio?). A equipe é um ramo da UDF (United Defense Federation).


Kaitô Touma, o destemido
 alter-ego de Max
O primeiro episódio começa com os ataques dos monstros Grangon e Lagoras contra a capital japonesa. Em meio ao caos, somos apresentados ao protagonista Kaitô Touma. Um jovem de bom coração que não mede esforços para ajudar as pessoas em seu caminho, mesmo que isso custe sua própria vida. Vendo sua coragem, Ultraman Max o escolhe para que este seja o seu hospedeiro na luta contra as criaturas que visam o nosso planeta. Como é de praxe da franquia, quando o Color Timer pisca a luz vermelha, Ultraman tem um limite de três minutos, por conta de sua fraca irradiação solar da Terra em relação à Nebulosa. Max conta com dois ataques finais: o Maxium Cannon, desferindo raios de sua mão esquerda; e Maxium Sword, um poderoso bumerangue gerado de seu capacete com um terrível poder de corte. Técnicas estas que referem ao Ultra Seven, além de sua aparência facial.

Kaitô passa a ser integrante do DASH ao ser reconhecido por sua bravura. O esquadrão é liderado pelo Capitão Shigeru Hijikata. O herói-protagonista tem como parceira a pilota Mizuki Koishikawa, que tem uma certa queda pelo herói. Além dos oficiais Kenjiro Koba e Sean White, o DASH conta com Elly. Uma linda ginoide (androide feminina) que obtém informações dos monstros e aprende sobre o comportamento humano. O DASH também conta com o auxílio do Chefe Kenzô Tomioka, que supervisiona a equipe, e também da Profª. Yukari Yoshinaga, que pesquisa sobre as anomalias provocadas pelos seres espaciais.


Mizuki Koishikawa, a inseparável parceira de Kaitô

A graciosa androide Elly

Ultraman Max é uma série que carrega muitas referências às Ultra Series da era Showa. Em termos de desenvolvimento, é superado pela sua sucessora (Mebius). Vale a pena conferir, tanto pelo carisma quanto pelas peculiaridades. Quem curte boas histórias de ficção científica, a série também é uma boa pedida. Há alguns episódios de Max que são bizarros e alguns acabam ultrapassando o cúmulo do nonsense com seu lado humorístico. No mais, Ultraman Max possui vários episódios marcantes e memoráveis.

Em um deles, o guerreiro é derrotado pelo monstro IF (leia: If) que possui um altíssimo grau de destruição. Para detê-lo, um inesperado milagre de uma criança acontecia, marcando um dos episódios mais emocionantes. Outro destaque da séries é em um arco duplo onde tivemos a participação especial da atriz Nao Nagasawa (a Hurricane Blue do Super Sentai Ninpuu Sentai Hurricanger, de 2002) como Natsumi, a filha de uma filha de Zetton que possui poderes extrassensoriais e além de lutar arte ninja (referência direta à série que a consagrou). Neste mesmo arco, Max conta com a ajuda de Ultraman Xenon (leia: Zenon), que esteve de passagem pela Terra para uma missão secreta e lhe entrega a arma Max Spark, como ataque final mais potente em crises de batalha. Contraditoriamente, há uma ligação direta com o episódio 8 de Ultra Seven durante um dos episódios, uma vez que o universo da série não é o mesmo dos Showa Ultramen ou dos individuais da Era Heisei que o antecederam.


Natsumi, a filha de Zetton, vivida por Nao Nagasawa


Ultraman Xenon, o passageiro herói secundário

Max medindo forças contra o terrível monstro IF,
em um dos episódios mais marcantes do seriado


Produção e exibição no Japão

Ultraman Max foi exibido originalmente na TV japonesa entre 2 de julho de 2005 e 1 de abril de 2006. Sempre aos sábados pela manhã, das 7:30 às 8:00, no canal TBS. O horário sucedia as séries Bishojo Senshi Sailor Moon (o TV drama tokusatsu de 2003-04) e Ultraman Nexus (2004-05). Foi substituída por Ultraman Mebius (2006-07; também disponível no Brasil via Crunchyroll) logo após o final. Porém este último ocupou o horário das 17:30 de sábado na TBS e MBS. A série possui um total de 39 episódios e mais um especial pós-final intitulado "Special Finale - Ultra no Mirai e", que permanece inédito fora do Japão.

Max teve outras aparições nos filmes Ultraman: Mega Batalha na Galáxia Ultra (2009), Ultraman Zero: A Vingança de Belial (2010) e retornou recentemente em 14 de março de 2015 no filme Gekijô-ban Ultraman Ginga S kessen! Ultra 10 yushi!, que reuniu os 10 Ultras da era Heisei (de Tiga pra frente). Em 2015, aparece no episódio 8 de Ultraman X, lutando contra o lendário Zetton.

O programa tenta resgatar a essência e elementos das séries clássicas de Ultra, porém tendo um tom mais contemporâneo e isolado. Um pouco mais corriqueiro e com efeitos especiais melhorados. As homenagens são bem visíveis na abertura e nas leves referências e aparições de monstros conhecidos. Esta também possui uma semelhança com Ultraman 80 (leia: Eighty) por conta de luzes multicoloridas na filmagem. A aposta da Tsuburaya foi além ao convidar os atores Susumu Kurobe (como Tomioka) e Hiroko Sakurai (como Yoshinaga). Eles foram nada mais e nada menos que Shin Hayata/Ultraman e Akiko Fuji, respectivamente, na série Ultraman (1966-67). Os dois já trabalharam em outras séries e filmes da franquia (incluindo o pioneiro Ultra Q) como outros personagens e já chegaram a reprisar os seus personagens clássicos da segunda série japonesa exibida à cores.



Ryu Manatsu (Leo) e Kohji Moritsugu (Seven)
 tiveram participações especiais em Ultraman Max

Além destes, os atores Kohji Moritsugu (Dan Moroboshi/Ultraseven), Ryu Manatsu (Gen Otori/Ultraman Leo) e Masanari Nihei (Mitsuhiro Ide em Ultraman) fizeram participações especiais. No episódio 29, há uma homenagem à série Ultra Q - que estava completando 40 anos em janeiro de 2006 - com as participações dos atores Kenji Sahara e Yasuhiko Saijou, que viveram respectivamente os personagens Jun Manjome e Ippei Togawa e interpretaram versões alternativas dos próprios atores no universo de Max, abordando a relação entre um episódio lendário que jamais foi ao ar e o monstro Geronga.

Curiosamente o elenco de Ultraman Max teve um gaijin (estrangeiro) como membro oficial de equipe. Ele é o ator Sean Nichols (como Sean White), que é famoso no Japão por um popular programa infantil chamado Eigo de Asobo.

Ultraman Max também possui um especial de oito minutos lançado direto-para-DVD.