sábado, 28 de fevereiro de 2015

Nostalgia: Ultraman Tiga estreava há 15 anos no Brasil

O gigante de Tiga tinha tudo para ser um cult pós-Manchete

Após o triste fim da Rede Manchete em 1999, as séries de tokusatsu originais (do Japão) teriam uma certa sobrevida. Era pra continuar de fato. Mas a vida tem lá suas contradições, né? Eis que no dia 28 de fevereiro de 2000 (segunda-feira) uma então nova série da Família Ultra dava início no Brasil, após uma considerável divulgação na programação da Rede Record, para a exibição nas manhãs do programa Eliana & CiaUltraman Tiga (1996~97) tinha tudo para engatar de vez e emplacar um sucesso que merecia, perigando ser um clássico equivalente ao Jaspion e até mesmo ao próprio Ultraman em pleno século XXI.

A série foi trazida pela distribuidora Mundial Filmes e com a colaboração de Marcelo Del Greco (ex-Revista Herói) no projeto de lançamento. A dublagem foi realizada pelos estúdios da Áudio News (do dublador Marco "Yusuke Urameshi" Ribeiro), os mesmos onde foram dubladas as duas versões do anime YuYu Hakusho. Comparando o nível, tudo era diferente, pois a dublagem era carioca. Ao invés da tradicional dublagem paulista, já que estávamos acostumados com este elenco na grande maioria das séries de tokusatsu exibidas nos anos 90. Aliás, naquela década a dublagem carioca esteve presente em tokusatsus como Gavan, Shaider, Bicrosser, além das temporadas clássicas de Power Rangers. Curiosamente, por coincidência (ou não), a dupla Eduardo Borgerth e Marisa Leal voltariam a interpretar um casal nas séries japonesas. Antes de Daigo e Rena, eles já haviam interpretado Dai Sawamura e Annie, respectivamente, em Shaider.

O primeiro Ultra da era Heisei tinha uma história menos "arrastada" do que as primeiras séries da franquia. Porém possuía uma alta e elevadíssima carga dramática. Em vários episódios isolados, próximos à metade da série, era impossível não se emocionar com os desfechos de cada. Sejam alegres ou tristes. Eram qualidades que destacavam o guerreiro da luz. Tiga representa o mesmo que Kamen Rider Black é para a franquia dos motoqueiros mascarados, pela sua própria atmosfera dark.

Na TV brasileira, Tiga marcava 8 pontos de audiência, com picos de 13. Dois a mais que Pokémon, que era fortemente o carro-chefe da programação entre 1999 e 2000. (Nota: a segunda leva de 52 do anime havia começado na Record em 21 de fevereiro de 2000. Exatamente uma semana antes da estreia de Tiga.) Não chegava a ser tão popular, mas era um bom começo. Infelizmente houve o velho atraso no lançamento de produtos ligados ao tokusatsu. A série era recebida com uma certa estranheza por Eliana e sua trupe. Era pra ir ao ar - pontualmente - às 10h30 da manhã como dizia as chamadas comerciais que anunciavam o tokusatsu. Mas pra dar aquele "up" na audiência, a apresentadora atrasava uns dez minutos (raramente começava minutos antes do previsto) e usava de uma certa artimanha chamada Chiquinho. Sim, aquele personagem patético que dizia "Dona Eliana" e sempre fazia desenhos toscos para a mesma num quadro branco. Coisa que retardava as crianças da época e subestimava a inteligência das mesmas. No dia da estreia foi até um cosplay do Ultraman (com uma máscara que parecia mais com um Ultraseven defeituoso de olhos azuis) lutar contra um "King Kong" de tamanho real. No YouTube você pode ver um pouco deste momento constrangedor aqui. E isso tudo pra não dizer que Eliana confundia todo santo dia o Tiga com o Ultraman original. Mais constrangedor impossível.



Depois de vermos batalhas clássicas, como do Evil Tiga, e passados 48 episódios inéditos, Ultraman Tiga sai do ar sem dar satisfação aos telespectadores que acompanhavam diariamente. Sem maiores explicações naquele momento, Eliana anunciava a re-estreia da animação Donkey Kong no horário do tokusatsu. Uma tremenda falta de respeito com os fãs, pois faltavam quatro episódios para encerrar uma série que tinha praticamente tudo para elevar a fama da própria Record. Um tempo depois foi revelado que o motivo foi por um pedido da apresentadora, que afirmava que aquele tipo de atração "não combinava em nada com seu programa". Venhamos e convenhamos: realmente Ultraman Tiga era maduro demais para estar num programa infantiloide que deixava passar crianças seminuas dançando a "boquinha da garrafa" e coisas do tipo. Ah, faz favor, né, dona Eliana?

Ultraman Tiga poderia estar dignamente no horário nobre e fazer bonito. Haviam planos da Mundial para levar o filme Ultraman Tiga: A Odisseia Final para os cinemas. Além da série da sequencia do herói, Ultraman Dyna (1997-98) para a TV. Além de que Del Creco idealizava uma sessão que seria exibida nas noites/madrugadas, com direito às renovações de direitos das séries Ultraman, Ultra Seven e O Regresso de Ultraman que ganhariam redublagem. Del Greco pretendia lançar também outras séries a partir de Ultraman Ace (com exceção de Ultraman Tarô). Antes das fitas masters de Dyna chegarem ao Brasil, houve uma escala do elenco de dubladores para os personagens principais. No caso, Hermes Baroli, que estava passando um período de trabalho no Rio de Janeiro, emprestaria sua voz para Shin Asuka/Ultraman Dyna. Márcio Seixas faria o Capitão Gousuke Hibiki. Estes mesmos só vieram mesmo a trabalhar com seus respectivos personagens no filme Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz, lançado por aqui em DVD pela Focus Filmes em 2011 e atualmente disponível no serviço de streaming Netflix. Por uma triste ironia do destino, estes materiais só chegaram no dia que Tiga saiu do ar pela primeira vez na Record.

Tiga teve mais duas exibições nos anos de 2001 e 2002, restritas apenas para São Paulo. Serviram apenas de tapa-buraco e nunca chegavam até o final. Coisa que só aconteceu entre maio e julho de 2005, na única (e mítica) exibição da série na Rede 21, sendo substituído em seguida pela reprise do anime Tenshi Muyo. Tiga teve uma sobrevida no mercado home-vídeo com os filmes da franquia Ultra, mas nada de tão glamouroso, infelizmente.

Como os tempos são outros agora, e o mercado de streaming está em ascensão, principalmente se tratando da parceria entre a Tsuburaya e a Crunchyroll, talvez algum dia o nosso herói tenha o destaque que mereça, mesmo que seja calcado apenas entre um público específico e inveterado na cultura pop japonesa. Tiga deveria mesmo ter uma nova chance como uma luz dourada e resplandecente. Foi mais uma que amargou na lista dos tokusatsus injustiçados em nosso país.



+ Ultraman ou "Ultraman Hayata"? Eis a questão

+ Hey tokufã, admita: você também é otaku

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Vida longa e próspera ao eterno Spock


Ele era um dos maiores ícones da cultura sci-fi de todos os tempos. Morreu na tarde desta sexta-feira (27) o ator Leonard Nimoy, que ficou eternizado como o lendário Mr. Spock da série Star Trek (ou Jornada nas Estrelas; 1966-69).

Ele iniciou sua carreira aos vinte anos atuando em séries e filmes hollywoodianos na década de 50. Seu primeiro filme foi Kid Monk Baroni (1952). Além de Star Trek, participou de outras séries como Missão: Impossível (quarta e quinta temporadas) e em episódios das séries Agente 86 e Bonanza.

Recentemente apareceu na TV como Dr. William Bell na série Fringe e fez uma participação especial num episódio de The Big Bang Theory, onde dublou um action figure de Spock. Em 2009 e 2013 reprisou como Spock nos filmes Star Trek e Além da Escuridão: Star Trek, respectivamente.

Leonard Nimoy sempre teve sua imagem atrelada ao alienígena. Reprisou o mesmo personagem de sucesso em vários filmes e séries spin-off da franquia Jornada na Estrelas. Chegou a escrever duas autobiografias intituladas como I Am Not Spock (de 1975) e I Am Spock (1995), onde escrevia sobre seu ponto de vista quanto sua existência ao personagem.

Agent Carter valeu apenas pela volta da heroína

Peggy Carter em sua série própria

E a série Marvel's Agent Carter chegou ao fim nesta semana, tanto nos EUA quanto no Brasil (por aqui pelo canal Sony). Foram oito episódios programados que mostraram Peggy Carter após os eventos do primeiro filme do Capitão América.

A série começou interessante, ligando referências aos eventos anteriores sem restrições como acontece em Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.. A fotografia vista como cenário para os anos 40 teve a mesma competência e qualidade
cinematográfica vista no cinema. A interpretação de Hayley Atwell foi impecável como sempre. O que não ajudou tanto foi o ritmo que a Marvel colocou para a trama nas telinhas. Nem é por se passar em uma época antiga, pois poderia ser mais instigante do que foi apresentado, independente de ser no passado ou não. Tinha sim uma conspiração em torno, mas faltou um importante elemento: a imprevisibilidade.

Apesar de não empolgar quanto deveria, Marvel's Agent Carter foi bem superior que a série do Agente Coulson. Quem sabe venha uma segunda temporada e tenha um desenrolar mais frenético. Isso saberemos no máximo em maio que vem. A Marvel necessita abrir estes horizontes como sua concorrente DC Comics vem fazendo há tempos na TV. Mas ainda assim, valeu por ver Carter novamente e superando a dor de não ter Steve Rogers ao seu lado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Encontro das duas "Florindas" marca mais um épico histórico

Florinda Meza e Marta Volpiani se encontram pela primeira vez (Foto: Reprodução/SBT)

Quem assistiu ontem ao Programa do Ratinho na noite desta quarta (25) viu a entrevista com Florinda Meza, a viúva de Roberto "Chaves" Bolaños. Foi a primeira vez que a atriz, que ficou marcada pelas personagens Dona Florinda e Pópis, veio ao Brasil. Infelizmente nunca tivemos a mesma felicidade de ter uma visita de Bolaños quando em vida, mas foi bem representado por ela. Lá ela contou curiosidades sobre sua carreira e também do comediante. Além de fatos sobre as séries Chaves, Chapolin e tantas outras produções do grande elenco de Chesperito. Florinda disse que jamais imaginava o tamanho do sucesso que a série do menino do oito faz por aqui há mais de três décadas.

Momento marcante mesmo foi o encontro da atriz com sua dubladora brasileira, a Marta Volpiani. A emoção foi tanta que chegou a superar o encontro de Édgar "Barriga" Vivar com o saudoso Mário Vilela, em 2003, que foi curta. Embora significativa. Na época, o fato (que também foi épico) se deu no extinto programa vespertino Falando Francamente, também do SBT e apresentado por Sônia Abrão. O encontro de ontem foi mais emocionante pois as duas puderam conversar ao vivo e terem maior interação, junto com Ratinho e Magdalena Bonfiglioli (que foi a tradutora intermediária). Florinda disse que Marta é o seu "outro eu" e até ganhou um presente interessante da mesma. A emoção teve um ponto especial pela espera de Marta para conhecer pessoalmente a atriz.

Sobre a novela em que Florinda protagonizou, Milagro y Magia (1991), que foi comentada ontem no programa, seria interessante ver esse material passar aqui no Brasil via TV ou streaming, quem sabe. Uma pena que 25 episódios (de um total de 90) do programa tenham se deteriorado com o tempo. Ainda assim seria curioso assistir uma produção onde Florinda esteve fora do universo de Chesperito e dublada por Marta. Vale lembrar que esta novela foi dirigida pelo próprio Bolaños, que também compôs o tema de abertura da novela.

Florinda na novela Milagro y Magia

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fã filme de Power Rangers explora fatos improváveis na franquia

O capacete do Ranger Vermelho jogado em meio à uma guerra

Um dos assuntos do momento é sobre o fã filme de Power Rangers que saiu nesta semana na internet, produzido por Joseph Kahn. Ele que é diretor de filmes americanos (como Pânico na Escola e Fúria em Duas Rodas) e vídeo clipes (de artistas como Taylor Swift, Shakira, Robbie Williams, AKB48, etc).

O curta de 14 minutinhos apresentado como POWER/RANGERS mostra uma versão alternativa - carregadamente sombria - onde os heróis (da primeira formação) de Alameda dos Anjos estão lutando numa guerra que ameaça a paz mundial. A história é centrada na investigação sobre a dissolução da equipe com misto de flashbacks. Sem contar que Tommy teria desaparecido. Algumas referências aos personagem, em alusão aos atores, são bem visíveis. Como o funeral de "Trini" (da atriz Thuy Trang) e a opção sexual de "Billy" (do ator David Yost).

O vídeo não dispensa a sanguinolência e é algo que obviamente jamais entraria para alguma temporada da franquia na TV. Provavelmente este nível de brutalidade jamais alcançaria o novo filme dos heróis, que será lançado em 2016. Alguns estariam confundido e perguntando se haveria alguma relação entre ambas as produções. Isso logo foi desmentido pelo roteirista Zack Stentz, que por sinal gostou da alternativa. Sobreo ator Jason David Frank, ele não poderia estar nesta produção, pois tem contrato com a Saban e com a Bat in the Sun (que faz os crossovers entre Tommy e heróis de outras mídias).

Se você ainda não viu (ou quer rever), assista aí:


No elenco do fã filme há alguns rostos conhecidos das série americanas. Kimberly é interpretada pela atriz Katee Sackhoff, que já esteve em séries como 24 Horas, Star Wars: The Clone Wars, etc. Já o interrogador é interpretado por James Van Der Beek, conhecido como Dawson Leery da série adolescente Dawson's Creek. A atriz Carla Perez, que foi a Rita Repulsa a partir da segunda temporada de Mighty Morphin Power Rangers, também reprisa a mesma vilã neste fã filme.

Uma pena que Kahn não queira dar uma continuidade ao projeto. Ficou muito bom e não deixa de ser curioso por ver os Power Rangers em situações que jamais poderiam ser descritos nas telinhas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ninninger estreia com a velha promessa de revitalizar o Super Sentai

Elenco principal da série

Neste domingo estreou pela emissora japonesa TV Asahi o 39º Super Sentai: Shuriken Sentai Ninninger. Originalmente a série estava prevista para começar no dia 15 deste mês. Mas por conta daquele ataque do Estado Islâmico contra um dos jornalistas japoneses capturados, houve uma pausa forçada no dia 1 de fevereiro. O que fez com que atrasasse em uma semana os episódios dos animes World Trigger (6:30), Tribe Cool Crew (7:00) e do tokusatsu Ressha Sentai ToQger (7:30). Ninninger foi o terceiro Super Sentai a sofrer um delay na estreia. Os outros dois foram Choushinsei Flashman (1986~87; por conta de atraso na produção em um mês) e Kousoku Sentai Turboranger (1989~90; pela morte do Imperador Hirohito). Enfim, para o bem ou para o mal, coincidentemente a estreia caiu no dia 22 de fevereiro. Ou seja, estreou num dia "ni-ni" (dois-dois) de um mês "ni" (dois). Curiosamente, por isso, o dia foi batizado pelos fãs como "Ninja Day".

Ainda é cedo para extrair pontos ou dizer se irá vingar ou não. Geralmente as explicações do enredo ficam para o segundo episódio. Mas pelas primeiras impressões deixadas, Ninninger começou com uma nova tentativa de fortalecer a franquia, resgatando um lado mais aventureiro e também tradicional, quanto às artes marciais. Obviamente superando sua antecessora pela imagem infantiloide que carregou durante sua exibição no ano passado.


Como sabemos, a temática ninja não é nova nos Sentais. Já vimos isso nas séries Ninja Sentai Kakuranger (1994~95) e Ninpuu Sentai Hurricaneger (2002~03). O primeiro episódio começou com uma luta triunfal entre Akaninjer e os soldados Hitokarage. Quem assistiu ao Samurai Sentai Shinkenger (2009~10) irá se lembrar da primeira luta de Shinken Red contra os Nanashi Renju.

A luta dos heróis, que são descendentes do último ninja sobrevivente, é conta o Exército Kibaoni. A estreia é centrada na chegada de Takaharu Igasaki/Akaninger nesta guerra. Ao seu lado está sua irmã mais nova Fuka Ikasaki/Shironinger e mais três ninjas: Yakumo Kato/Aoninger, Nagi Matsuo/Kininger e Kasumi Momochi/Momoninger. Para auxiliá-los está Tsumuji Igasaki, o pai de Takaharu e Fuka, que apenas tem conhecimentos sobre a arte ninja. O Último Ninja é Yoshitaka Igasaki, o avô dos heróis e responsável por selar Gengetsu Kibaoni no passado.


A vilania principal ainda não teve destaque, deixando um foco para o primeiro Yokai, o monstro Kamaitachi, inspirado numa besta do folclore japonês de mesmo nome que ataca com golpes de ar frio. A luta dos mechas contra o Yokai foi um show à parte. Destaco aqui o embate de Shinobimaru (o mecha de Akaninger) contra o monstro já agigantado. Há coisas bem inusitadas nos mechas. Como a cabeça de Shinobimaru lembrar ligeiramente os heróis de Battle Fever J (1979~80), o mecha cachorro Wanmaru em ação (coisa atípica), e os pés de Shinobimaru ficar no peito do robô gigante Shurikenjin. Nada que venha comprometer a diversão. Pelo contrário, tivemos boas sequencias de ação. Agora, o que mata a série de vez são aquelas dancinhas sem graça. Melhor não ter tido encerramento nenhum como ToQger ficou no meio da série.

Sobre o elenco, há alguns meses atrás eu havia escrito aqui neste espaço que a atriz Kasumi Yamaya (18), que interpreta a Kasumi Momochi, seria a musa dos Super Sentais em 2015. De fato ela tem tudo pra ser. Porém a disputa será acirrada, pois a atriz Yuuka Yano (17), a Fuka Ikasaki, chamou a atenção pela graciosidade e carisma que passou para a sua personagem. Aliás, a irmã de Akaninger teve destaque nas apresentações.

Criador de Fairy Tail ajuda Jack Bauer

Jack ataca mais uma vez no Japão

Qual a relação entre 24 Horas e Fairy Tail? Aparentemente nada, mas o fato é curioso. O que acontece é que a série americana 24 Horas: Viva um Novo Dia (24: Live Another Day), exibida nos EUA e no Brasil no ano passado (como sequencia da série original de oito temporadas), será lançada direto-para-vídeo a partir do dia 4 de março. Mais especificamente em DVD/Blu-ray.

E para promover o lançamento desta excelente série, Hiro Mashimao criador do mangá/anime Fairy Tail, deu uma mãozinha para ajudar Jack Bauer num desenho ilustrativo para divulgação, que será veiculada na 14ª edição da revista Weekly Shonen Magazine Kodansha, no mesmo dia do lançamento do material. Além disso, o marketing será realizado através de cartazes em várias lojas do Japão. Aliás, Mashima declarou ser um grande fã da série.

Confira a imagem, a seguir, e também um vídeo de divulgação:






24 Horas foi exibido no Japão pelas emissoras japonesa Fuji TV, TV Tokyo e o canal pago WOWOW. Jack Bauer é dublado pelo ator/seiyu Rikiya Koyama, conhecido no Brasil como Joe Kazumi do tokusatsu Kamen Rider Black RX, exibido nos anos 90 pela extinta Rede Manchete.

Existe algum vilão mais safado que Embryo em Cross Ange?

Embryo revelando o poder de sua criação

Assistiu ao episódio desta semana de Cross Ange? Então, Embryo revelou que ele recriou o mundo após uma série de destruições que a própria humanidade causaria em nossos dias. Não é a toa que ele também foi chamado há alguns episódios atrás como "deus". Aliás, já deu pra sentir a tensão quanto ao título do episódio: Kami no Kyu Kon (Espírito de Deus ou Alma de Deus).

[SPOILERS]

Agora, Embryo usou de um golpe trapaceiro que normalmente nenhum outro faria. O que foi aquela cena em que ele manipulou os desejos de Ange? Isso mesmo. Se você ainda não assistiu ao episódio 20 e está lendo este spoiler, deve estar imaginando o quão louco pode ser este chefão supremo. Veja lá e tire suas conclusões.

Embryo tem se mostrado um vilão interessante pela desenvoltura misteriosa que o cerca desde sua primeira aparição no final do cours de inverno. O que gera uma certa expectativa para os próximos cinco episódios finais da série. Mas essa manipulação do gozo sexual de Ange foi um golpe pra lá de baixo. Independente de ser uma fanservice ou não, a cena foi algo inesperado. Embora sua safadeza tivesse um "charme sutil" por parte dele contra a nossa loira.

Fico até pensando no que mais ele pode ser capaz até o final. Bem, espero que Embryo não tenha nenhum excesso de poder que venha estragar o personagem até lá. Ele está no ponto certo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cinquenta Tons de Cinza rivaliza A Saga Crepúsculo na base do sadomasoquismo

O novo casal mais comentado das telonas

Se você vai assistir ao filme Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey) pensando que vai assistir apenas a um filme erótico, saiba que tudo ali é complexo e tem que ser muito guerreiro para aguentar tanta enrolação. O filme é visivelmente um rival sexual de A Saga Crepúsculo. Uma vez que o livro Cinquenta Tons de Cinza, da escritora britânica E. L. James, surgiu de uma fanfic que foi inspirado em Edward Cullen e Bella Stewart para o lado masoquista da coisa.

A história começa num dia chuvoso onde a estudante de literatura Anastasia "Ana" Steele (interpretada por Dakota Johnson) vai ao encontro do empresário Christian Grey (por James Dornan; seria uma alusão ao Christian Troy da série Nip/Tuck?) para entrevistá-lo. A moça estava fazendo um favor para sua colega de quarto. Entre os dois surge uma estranha atração que aos poucos vai além dos limites. Com o passar do tempo, Grey releva suas singularidades para a pretendente, que sem notar acaba se tornando sua escrava sexual. Mediante à um contrato que é negociado durante o desenrolar.

O enredo em si lembram elementos de Crepúsculo, como por exemplo, Grey dizendo para Ana algo como: "Eu não sou homem pra você. Fique longe de mim". O que pode ser uma referência aos primeiros diálogos do casal de vampiros, se analisarmos bem. Embora os dois lembrem (e se inspirem em) Edward e Bella, respectivamente, Grey é o oposto do vampiro que brilha na luz. Não é recatado e respeitador. Pode ser bonito e educado, mas é estranho, misterioso e possui preferências peculiares. Já Ana é diferente de sua "contraparte", uma vez que ela sabe jogar psicologicamente para com seu parceiro.

O filme é muito bem produzido e tem ótimas fotografia e trilha sonora. O problema é que nada disso salva da previsibilidade que a história leva. Em outras palavras, a trama é rasa como uma colher de chá. Depois de quase 45 minutos de introdução, a história ultrapassa os limites da sedução e vira um verdadeiro pretexto para mostrar sexo a quase todo momento. As tramas viram subtramas e nada engrena para um desfecho digno. Cinquenta Tons de Cinza é uma relação de amor e ódio entre os espectadores. Você até tenta gostar do filme em certas cenas de "fofura" entre o casal, que tenta leva uma vida normal, por parte de Ana. Mas tudo é revirado pelo desejo dominador de Grey sobre sua submissa. O que cansa bastante a quem está assistindo.

Cinquenta Tons de Cinza pode ser um campeão de bilheteria, mas nada que venha salvar de sua estigma animalesca. O enredo é interessante, mas está longe de ser bom. Ainda estão para vir mais dois filmes inspirados nos livros Cinquenta Tons mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, respectivas continuações do primeiro livro da trilogia. As filmagens começam no meio deste ano e a previsão de lançamento é para 2016. A direção de "Cinquenta" é de Sam Taylor-Johnson, que havia dirigido antes apenas em O Garoto de Liverpool (2009).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Pitaco - Tá no Ar: a TV na TV é o melhor programa da Globo

Marcelo Adnet interpretando um "crítico sem noção" (Foto: Divulgação/Globo)

Nunca tinha comentado por aqui, mas vale a dica de TV. Sabe aquele programa Tá no Ar: a TV na TV, humorístico comandado por Marcelo AdnetMarcius Melhem nas noites de quinta-feira?. Pois é. Não tem Big Brother ou novela Império que chegue aos pés deste programa. A atração é uma das melhores coisas que a Globo fez até hoje. Por que não dizer o melhor programa desta na atualidade? Até mesmo aqueles que tem um certo desdém pela emissora tem que assistir, pelo menos, pela curiosidade. Até por causa das próprias críticas que a Globo faz consigo própria.

A segunda temporada começou na semana passada satirizando os ex-brothers do reality show como se eles estivessem mendigando loucamente para terem fama novamente. Um fato bem curioso por se tratar de uma "autocrítica" que a emissora dos Marinho se permite fazer. No programa de ontem teve uma sátira à novela (que não acaba mais) Malhação. O cenário se passava em Roma Antiga e o tema de abertura era cantado pelo próprio Lulu Santos, cantando uma paródia da música "Assim Caminha a Humanidade". O mais engraçado era a letra que dizia algo como o elenco ter atores ruins e a novela não ter fim.

Tem lá uns quadros que satirizam propagandas, programas de outras emissoras de TV aberta ou fechada, e até mesmo uma sátira ao extinto Casa dos Artistas que aqui virou "Sauna dos Artistas". Mas o que mais chama a atenção é um personagem que o Adnet interpreta conhecido como "crítico sem noção". Tipo aqueles caras que aparecem na internet fazendo protesto contra a Globo e vai chamando de "censora", "ditatorial" e coisas do tipo. É uma coisa que até pouco tempo atrás jamais imaginaríamos ver esse tipo de coisa partir da própria Globo. É sensacional.

Assim como na temporada anterior, Tá no Ar: a TV na TV deve ficar por cerca de dois meses no ar. Bem que Adnet poderia ter um tempo maior, pois o programa é ótimo. Tem as mesmas fórmulas vistas em programas como TV Pirata e Casseta & Planeta, Urgente!, mas com um toque mais irônico. É um prato cheio pra quem é telespectador assíduo da Globo, assiste esporadicamente ou torce o nariz para ela.

Recentemente foi lançada a box da primeira temporada do programa em DVD.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Disney volta à mira de pastores evangélicos

Josúe Yrion, o inimigo número 1 da cultura pop

Antes de qualquer coisa, sou cristão evangélico e tenho liberdade de expressão para debater o tema. Então, outro dia estava lendo um post da minha colega de blog Sandra Monte (do Papo de Budega) sobre sua opinião quanto à uma afirmação de um determinado pleito conservador evangélico que diz que o filme Frozen: Uma Aventura Congelante estaria incitando crianças precocemente ao homossexualismo. Algo improvável e que está anos-luz de se confirmar de fato.

As acusações vem do pastor norte-americano Kevin Swanson em seu programa de rádio que diz o filme possui "perigosas mensagens da homossexualidade e da bestialidade". Coisas absurdas e sem respaldo algum. Uma maldade sem precedentes de pessoas que deveriam ter maior compromisso em pregar o genuíno evangelho de Jesus Cristo e estão por aí preocupados em criar mais e mais lendas urbanas, boatos e enganar os fiéis em nome de Deus com bases no fanatismo religioso.

Essa briga de evangélicos contra a Disney é antiga. Claro que não são todos e não tem como generalizar. Conheço e convivo com várias pessoas que pregam verdadeiramente sobre o amor de Cristo. Essa revolta de uma minoria é nada mais e nada menos por conta de uma tentativa de uma realização de uma parada gay na Disneylândia, em meados dos anos 90. Tais pastores foram contra e quando o caso deveria ter terminado ali os mesmos que protestaram contra o tal evento acabaram criando mentiras sobre a Disney ter feito um suposto pacto com demônio e coisas do tipo.

O principal mentor destas mentes "diabólicas" é Josué Yrion (este rapaz da foto acima e que não vou chamá-lo de pastor por não merecer o título), que viajou o mundo pregando contra a Disney e diversos artigos da cultura pop ligada à animes, cartoons, games, etc. Uma vez já o citei aqui no blog, em 2013, e falei também sobre aqueles que se inspiram nele nos dias de hoje. Yrion teve seu ápice de crédito por leigos pais de família no final dos anos 90 e foi desmentido pelos próprios fãs destes artigos (Disney e etc) e sua "máscara" caiu com a ascensão da internet.

Parece que em pleno ano 2015, em meio ao avanço da tecnologia, pessoas ainda querem usar de má fé do povo cristão. Ainda há aqueles que acreditam em tal teoria da conspiração e não procuram pesquisar achando que é e pronto. Mas graças a Deus que ainda tem pessoas no meio que não são bobos e retrucaram tais afirmações nas redes sociais. A Disney, como tantas outras empresas do ramo, foram criadas com suor/empenho/dedicação. Onde que alguém iria perder tempo em colocar mensagens subliminares num trabalho que dura meses e meses para um filme ficar pronto? Tá mais que na hora dessa brincadeira de ser crente acabar e buscar o resgate de vidas que realmente carecem do amor de Deus. No mais, o povo cristão merece respeito.

E quanto aos homossexuais, posso ter minhas convicções cristãs. Mas tenho respeito para com eles. Não é porque haja divergências eclesiásticas que tenhamos que tratar mal. Passar disso, seria ir contra os princípios cristãos de amor (ágape) ao próximo.

PS: Não sou fã da Disney e de Frozen. Apenas aprecio os trabalhos da empresa e não por acaso acompanhei esses problemas que Yrion levou dos EUA para o resto do mundo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ultraman ou "Ultraman Hayata"? Eis a questão

Uma coisa que sempre observei ao longo dos anos na tokunet afora e que não tem explicação ou cabimento nenhum pra tal é como alguns fãs no ocidente (em especial, os brasileiros) se 


Hayata, o hospedeiro confundido
referem ao Ultraman original chamando-o de "Ultraman Hayata". Há algum tempo os fãs de tokusatsu que residem fora do Japão chamam o herói assim, desconsiderando a oficialidade da Tsuburaya. Sendo que é uma coisa bem bizarra se formos analisar bem.

Vamos combinar o seguinte: Hayata é apenas o nome do alter-ego do gigante prateado da Nebulosa M-78 na Terra. Melhor dizendo, é o hospedeiro terrestre do herói (que teve sua consciência paralisada enquanto Ultraman agia disfarçado no corpo e na mente do mesmo). O nome completo do patrulheiro da SSSP (Scientific Special Search Party) é Shin HayataNem adianta chamá-lo de Hayata, pois o nome do herói nunca foi um sufixo, propriamente dito. Alguém poderia vir como uma desculpa em dizer: "Ah, mas isso serve para diferenciá-lo dos demais Ultras". O mais correto para se referir ao pioneiro (por aparição) da Família Ultra é apenas como Ultraman e sem mais. A não ser dê uma louca na própria empresa em fazer isso. O que provavelmente nunca acontecerá por ser óbvio demais para a identidade do herói. Seria incoerente para a própria trama em si.

Intimamente falando, podemos até chamá-lo de "Man" quando chamarmos assim como os demais Ultras. Como fazemos, por exemplo, apenas como Seven, Jack, Ace, Tiga, Dyna, Mebius, Nexus, etc. Isso não chegaria a ferir a nomenclatura destes em si. Em tempo, nem nas séries e filmes recentes da franquia os Ultra Kyodai (Irmãos Ultra) chamam Ultraman de Hayata (a não ser pela "forma" civil) ou muito menos de "Ultraman Hayata". Pois como eu disse acima, Hayata é apenas o nome daquele hospedeiro humano do gigante de prata e não teria algum tipo de sentido no enredo. Já pensou então se, do contrário, Ultraseven fosse chamado de "Ultraseven Dan" ou "Ultraseven Moroboshi" pra diferenciá-lo do Ultraseven 21 (lê-se: two one) e Ultraseven X (eks)? Seria horrível, não? Passar disso é desconsiderar por si o que já foi determinado pelo próprio cânon da Tsuburaya.

Um bom exemplo regular é o Ultraman Jack, que em sua série, O Regresso de Ultraman, era chamado apenas de "Ultraman". Nas publicações em revistas e livros dos anos 70 e início dos anos 80, o segundo Ultraman era referido como "Shin Ultraman" (Novo Ultraman) e Kaetekitta Ultraman (sim, pelo título original da série). Só a partir de 1984 é que a Tsuburaya chamou-o pela primeira vez de Ultraman Jack, para então diferenciá-lo do Ultraman original.

Ainda sobre essas incoerências na web estrangeira do tokusatsu japonês, outra coisa que não dá pra entender, por exemplo, é quando chamam o Homem-Aranha japonês (da Toei Company) de "Supaidaman". Quando na realidade essa é a pronúncia japonesa pelo alfabeto (utilizadao para palavras estrangeiras) katakaná (sendo então: スパイダーマン, Supaidāman) e não temos a "obrigação" de chamá-lo assim. Não é verdade? Já que temos a romanização oficial como Spider-Man mesmo ou Spiderman (este último termo para o herói japonês). Do contrário, seria como chamarmos, aqui no ocidente, o Spielban (ou Spielvan no Brasil) de "Supiruban".

Parece ser uma questão inútil pra se discutir, mas a observação é importantíssima. Nada que uma boa pesquisa e conhecimento (independente de serem aprofundados ou não) não desmistifique o que é dito não-oficialmente por aí pelo campo das ideias. Um mero detalhe faz toda a diferença. E no caso de Ultraman, os multi-versos são vastos demais para serem explorados e entendermos que a franquia é também tão importante quanto Kamen Rider e Super Sentai. Há muito mais coisas a se compreender e descobrir em Ultraman e perceber que é uma franquia fantasticamente rica em conceitos e mistérios, mesmo sendo esta sujeita a furos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Nostalgia: "Morango do Nordeste", um hit perfeito para o carnaval

Capa do CD de Lairton em 1999

Independente de você aguentar ou não tanta sofrência com as músicas de Pablo (no meu caso, não faz a minha preferência), e geralmente procura fugir das mesmas músicas chulas de axé/pagode/forró que tocam nesta época do ano como se joga qualquer praga no ralo, que tal então voltar no tempo e fazer uma maratona com a música "Morango do Nordeste"?

Mas você deve estar se perguntando: o que esse maluco tá querendo comparar carnaval com uma música brega/sertaneja? Simplesmente, este sucesso de Lairton e seus Teclados (ou Lairton dos Teclados como ficou conhecido pouco depois) foi - indiretamente falando - um hit de carnaval. Melhor dizendo, atravessou o carnaval de 2000, durou sucesso até vários meses depois, e foi uma das mais tocadas também no mesmo período há uma década e meia.

Lembro muito bem da primeira vez em que ouvi a música. Foi numa tarde de domingo do dia 3 de outubro de 1999 (início do horário de verão em que o Nordeste também estava incluso) em que Lairton dava uma entrevista num programa de uma rádio comunitária, afim de lançar seu primeiro CD. A música de trabalho foi justo aquela que estouraria em breve nas rádios de todo o Brasil. Pra mim, era apenas um brega regional e jamais esperaria por um boom que viesse a se projetar nacionalmente. No máximo seria uma música que faria sucesso num carro de som ou num botequim da vida.

Poucas semanas depois a música já estava sendo tocada em várias emissoras de rádio populares em todo o território nacional. O resultado foi um fenômeno estrondoso que deixou o single entre uma das mais executadas nas paradas de sucesso por cerca de 8-9 meses. Ou senão, foi considerada a melhor música daquele ano, segundo pesquisa do IBOPE. Lairton despontou-se para se apresentar no programa Planeta Xuxa, a convite da produtora Marlene Mattos. Foi daí que tudo tinha começado.

A média era de 150 vezes em que a música era tocada por dia. O sucesso de "Morango do Nordeste" era absurdamente comentada não apenas pelo famoso "boca-boca", mas também por vários meios de comunicação do país. Chegando a ser alvo de lendas urbanas que rezavam a comparação da letra da música com o "uso da maconha". (?!) Coisa que ninguém nunca conseguiu provar de fato. 


Walter de Afogados, um dos compositores de "Morango"

O que acontecia na realidade é que a canção foi composta originalmente em 1984 pela dupla Walter de Afogados e Fernando Alves. A intenção era criar uma linha musical com um toque de misticismo, no mesmo estilo de Raul Seixas e Zé Ramalho. A música teria dez minutos de duração (!) e falaria sobre um encontro com marcianos e até mencionaria algo como mar vermelho ou coisas do tipo. O verso inicial que dizia "Estava tão distante quando ela apareceu" se referia à uma nave espacial. Logo os autores alteraram a letra para uma linha romântica, pois acreditava-se que teria um retorno comercial. Mas foi só em 1987 que Walter de Afogados lançou o seu primeiro LP com a música, que foi intitulada na época como "Sonho dos Sonhos". A repercussão do disco não teve o retorno esperado.

Antes de Lairton gravar a canção, pediu para mudar o título da mesma. Como sugestão do próprio Walter, a música foi rebatizada como "Morango do Nordeste". O motivo era por causa apelido de Lairton: Moranguinho. Os autores tiveram problemas com pagamento de direitos autorais, pois eles não haviam recebido por parte da gravadora Gema, referente à vendagem de discos. O ECAD pagou aos autores os devidos direitos pelas execuções no rádio.

O primeiro CD de Lairton, por exemplo, teve uma humilde produção que não tinha grandes pretensões. O foco seria apenas regional como citado acima. O primeiro volume tinha regravações de sucessos de Paulo Ricardo e Gian & Giovani, por exemplo, que estavam disparadas no final da década de 90. O sucesso de "Morango" foi tamanha que chegou a ser regravado por outros cantores de variados estilos como Frank Aguiar e Karametade, por exemplo, que embarcaram na onda do momento e não fizeram bonito como Lairton.

Tá certo que "Morango do Nordeste" não chega a ser uma canção para se pular e/ou dançar marchinhas. Mas era um hit que poderia muito bem ser disputada com a famigerada "Porque Homem Não Chora" fácil fácil. As sofrências dentre ambos os sucessos são consideravelmente parecidas. Mas o romantismo de Lairton é simples. Assim como será o sucesso de Pablo (que também não teve pretensões de um grande boom do qual foi projetado) neste carnaval, a música que lançou o Moranguinho para o cenário nacional foi tocada durante o períodol por preferências populares, independente do que manda a tradição musical da época. A música em si pode parecer estranha ou até mesmo cafona para alguns, mas a história de composição e sucesso são bem curiosos e merecem memória. "Morango do Nordeste" foi algo do acaso que precisava brilhar porque tinha um talento à ser explorado.

Á título de curiosidade, dentre várias regravações, "Morango" gerou uma versão bacana em inglês e foi chamada como "Strawberry of America" (Morango da América). A letra e composição foi de Elzyo Silver, um cover do Elvis Presley, que caiu perfeitamente no estilo sessentista. A confusão foi tamanha que até o radialista João Inácio Jr., da Rádio Verdes Mares AM e TV Diário (ambas de Fortaleza-CE), pensou que a autoria fosse do próprio rei do rock e que Lairton tivesse gravado a canção a partir daí.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Harley destrona personagens de alívio cômico em Kamen Rider Drive

Motoqueiro americano chegou bastante animado

E mais um personagem surge em Kamen Rider Drive para fazer graça. Aliás, este chegou triunfalmente e animando como nenhum outro personagem da série conseguiu fazer até agora. Ele é o Professor Harley Hendrickson, o cientista americano que criou o Rider System de Kamen Rider Mach, utilizado por Gô Shijima. Além de que ele também é o mentor do Mr. Belt.

Já dá pra entender de quem Gô puxou tanta loucura, né?. Só que o novo Rider secundário bem que tenta ser engraçado com suas estripulias. No caso de Harley, o velho chegou de surpresa com sua moto e mandou brasa. Não precisou fazer muito esforço, tem um humor espontâneo e só em ele gritar já dá vontade de rir com seu entusiasmo.

E olha que foi apenas sua primeira e curta aparição na série. Praticamente Harley desbancou os demais personagens de alívio cômico da delegacia que fazem aquele humor forçado pra tentar agradar o público mirim. Espero que Harley continue até o final de Kamen Rider Drive.

Curiosamente, o ator Ulf Otsuki - que é europeu - já esteve na série Kamen Rider Super-1 como Professor Henry. Aquele que tornou Kazuya Oki no herói-título da série de 1980.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Dublagem de The Big Bang Theory será um teste de resistência na nova programação da Warner

Personagens da série terão suas vozes trocadas a partir de abril

Ainda faltam cerca de dois meses para a Warner Channel dublar totalmente sua programação, a pedido da Ancine. E uma coisa que deverá ser considerada como a mais gritante no futuro é a dublagem do sitcom The Big Bang Theory. Quem já viu a série na versão brasileira já sabe do constrangimento que é ouvir vozes que absolutamente não combinam em nada com os personagens ou até mesmo com a naturalidade do programa.

O personagem que tem a voz mais estranha na dublagem é o Sheldon Cooper. A impressão que temos é que a interpretação fica muito retardada em relação ao que o protagonista é de fato. Originalmente o rapaz é nerd. Certo? Mas sem impostações de voz ou algo que venha a exagerá-lo em suas falas em inglês. Coisa que acontece absurdamente na dublagem e dá vontade de parar ali mesmo e mudar de canal.

Nada contra a dublagem em geral. Existem casos e casos. E The Big Bang Theory é um exemplo puro de uma comédia que não se deve mexer com a originalidade. Independente de canal ter grande parte da programação dublada ou não. Seria mais ou menos como o Seinfeld neste quesito de tradução. Tudo poderia continuar com o áudio original e com legendas (pra quem precisa delas). Vale lembrar que este último já passou na TV aberta sem dublagem e deu certo.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Em meio à falta do ritmo frenético em Aldnoah.Zero, Inahô se destaca

A segunda temporada de Aldnoah.Zero está no ar e dá pra sentir a falta de um elemento importante na trama. Aquele ritmo mais frenético da primeira fase. Tal ponto foi 


importantíssimo durante o desenrolar da temporada anterior. Tanto é que Slaine Troyard teve um destaque maior do que os demais personagens, com direito a tirar totalmente o foco de Inahô Kaizuka, que é considerado um protagonista central da trama no núcleo da Terra.

A coisa está ao contrário agora. A nova temporada está com um tom introdutório e as coisas vão sendo explicadas lentamente. Slaine (que também é protagonista) está um pouco apagado na história e Inahô está ganhando uma certa importância que precisava. Dá se a entender que o jovem terráqueo poderá mostrar seu potencial na série em breve. Uma vez que seu olho esquerdo possui uma especialidade que deverá ser explorada nos próximos episódios.

Que bem me lembro, o diretor Ei Aoki havia afirmado no episódio 0, intitulado como "Count A to Z", de que Slaine seria um papel chave para esta temporada. Só nos resta aguardar o que acontecerá até o final. Já estamos praticamente na metade da segunda leva de Aldnoah.Zero e precisamos testemunhar mais uma vez outra rivalidade entre Slaine e Inahô.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Algo estranho acontece na exibição e dublagem de Person of Interest

Finch e Reese agora falam português

E a Warner começou a exibir desde a semana passada a terceira temporada de Person of Interest. A coisa já começa errada pela exibição atrasada de 16 meses em relação aos EUA. Sacanagem, hein? Atualmente a série se encontra em sua quarta temporada. Quem acompanha o canal, deve perceber nitidamente a transição que a programação está passando. É que a partir de abril, a pedido da Ancine, a Warner será totalmente dublada e terá parte de sua programação tomada por produções brasileiras.

Não é a primeira vez que POI é apresentada com dublagem. As duas primeiras temporadas já foram reprisadas às tardes com esta versão. Como agora estamos com episódios inéditos - e no horário nobre - está dando para conferir com atenção.

A dublagem da série é boa sim, porém há algo estranho. Nada contra o trabalho de Alexandre Moreno, até porque gosto de suas interpretações, inclusive como Jason em Power Rangers. Simplesmente sua voz é jovem demais para um personagem de meia-idade como Finch. Ficou bem estranho e tomei um susto ao ouvi-lo na narração da abertura. As demais vozes combinaram com os personagens. Mas ainda assim fica estranho assistir um episódio inédito sem o áudio original. Talvez essa transição seja pra nos acostumar com a ideia. Ainda sobre a voz de Finch, esquisito mesmo foi o sotaque que ele ganhou na versão brasileira.

Como eu disse uma vez aqui no blog, priorizar uma dublagem numa exibição inédita pode gerar problemas de atraso na programação, em relação à diferença de periodicidade entre EUA e Brasil. A dublagem poderia ficar numa eventual reprise. Mas a Ancine não deu ouvidos a minha ideia e muito menos dará aos inveterados que acompanham com o áudio em inglês.

Outro ponto obscuro da Warner nessa história é o novo título adotado para o português. Agora a série é apresentada como Sob Suspeita. Nada convidativo, né? Estranho, já que na dublagem o título é Pessoa de Interesse. Tradução direta do original. Mas nada melhor do que chamá-la pelo título que já tinha sido apresentado por aqui desde sua estreia brasileira no final de 2011.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Esclarecimento sobre a citação de Medina Jr. e Ultraman Cosmos

Medina Jr. como Cole em Power Rangers Força Animal

Ontem fiz o meu comentário aqui no blog sobre a prisão do ator Ricardo Medina Jr., o Cole/Ranger Vermelho de Power Rangers Força Animal e Deker de Power Rangers Samurai. O post teve uma certa repercussão nas redes sociais. Muitos entenderam a minha opinião, concordaram e viram que os pretextos gerados pelos saudosistas de plantão são infundados. Outros acabaram não entendendo a citação que fiz do ator Taiyô Sugiura, o Musashi Haruno/Ultraman Cosmos. O equívoco talvez por culpa deste blogueiro.

Alguns comentaram fazendo uma menção que deixei de fazer lá no texto, que seria quanto à inocência comprovada do ator na época do ocorrido, o que é outra parte da história. Apenas citei sobre a acusação que ele levou na época. A minha intenção não foi fazer uma comparação direta com os dois casos (que são distintos, obviamente). E sim mostrar que independente de nacionalidade, ou até mesmo de ser ator de Power Rangers, Super Sentai, Ultraman ou qualquer outro gênero de tokusatsu, uma pessoa pode estar sujeita à penalidades. Caso tenha-se cometido um determinado crime ou, pelo menos, tenha-se levado voz de prisão e estar sujeito à investigações. Esta realidade que argumentei é bem diferente do que foi afirmado por aí pelos puristas sobre um ator japonês não ser envolvido - justamente ou injustamente - ou jamais chegar a cometer um crime. E por que não seria, se fosse o caso? Não é verdade? Foi daí que mencionei sobre o Japão não ser isento de um caso como este, caso haja/houver.

Quanto ao Sugiura e ao Medina Jr., se observarem bem naquele post, em nenhum momento afirmei que os dois eram culpados. Apenas acusados/envolvidos. O que é diferente de uma legítima comprovação judicial. O primeiro citado é inocente. Certo? Quanto ao segundo, vamos combinar uma coisa: é mais prudente aguardar o desenrolar desta novela. Nenhum de nós pode apontar o dedo antes que a própria perícia local investigue primeiro e finalize o laudo. De repente, Medina Jr. pode ser inocente como Sugiura foi, como também não. São cenas dos próximos capítulos e deixemos que a própria justiça americana resolva e dê o seu veredito.

No momento, Medina Jr. foi solto e há possíveis indícios de legitima defesa. Ainda assim, talvez haja muita água pra rolar sobre o caso.

Takayuki Miyauchi - O mais novo sessentão da praça

Hoje é aniversário de um dos cantores de anisong que curto e admiro. Takayuki Miyauchi completa hoje 60 anos. Pude conhecê-lo pessoalmente em 2007 na sétima edição do 

SANA, aqui em Fortaleza-CE. Por coincidência - ou não - Miyani (seu apelido no Japão) faz aniversário exatamente na data de estreia de duas séries de tokusatsu das quais interpretou temas de abertura/encerramento/inserções. Ou seja, há exatamente 31 e 25 anos, respectivamente, estreavam as séries Chodenshi Bioman (1984-85) e Tokkei Winspector (1990-91).

Miyauchi nasceu em 4 de fevereiro de 1955 e é residente na Província de Ibaraki. Durante o ensino médio, ele tocava bateria numa banda que tinha os Beatles como referência. Passou a se apresentar em casas de shows, bares, casas noturnas e afins. Seu repertório tinha como pano de fundo músicas românticas, jazz e blues. Além disso, Miyauchi passou também por grupos vocais.

Chegou a se inscrever numa audition da Columbia Records para gravar o tema de abertura do Super Sentai de 1983, Kagaku Sentai Dynaman. MoJo, que já cantara os temas da série anterior, Dai Sentai Goggle V (exibida no Brasil pelas emissoras Bandeirantes e Record) foi quem seguiu com as canções da série vigente. Mas foi em 1984 que Takayuki teve a sua oportunidade para ter o seu primeiro contato direto com tokusatsu, interpretando temas da série Chodenshi Bioman.


Miyauchi em apresentação na TV japonesa

Em paralelo ao sucesso de Bioman, Miyauchi chegou a gravar também para alguns animes como Kinnikuman (1983~86), Yumê Senshi Wingman (1984~85), e Video Senshi Laserion (1984~85). Além do tema de inserção "Shaider Blue" para o tokusatsu Uchuu Keiji Shaider (1984~85).

Nos tokusatsus despontou cantando para demais séries como Choshinsei Flashman (1986~87), Kamen Rider Black RX (1988~89) e se firmando na trilogia dos Rescue Heroes - da franquia dos Metal Heroes: Tokkei Winspector, Tokkyuu Shirei Solbrain (1991~92) e Tokusou Exceedraft (1992~93).






O repertório de Miyauchi é vasto. Nas séries de anime, sua imponente voz foi está presente em diversos temas de inserções de outros tokusatsus. Em especial os Super Sentais das décadas de 1990 e 2000. Nos animes, trabalhou cantando inserções de Dragon Ball (1986~89), Ginga: Nagareboshi Gin (1986), Patlabor (OVA de 1988), Yusha Oh GaoGaiGar (1997~98), Galaxy Angel (2001~02) e tantos outros.





Takayuki Miyauchi tem uma estreita relação com Akira Kushida. Os dois já se apresentaram em diversos eventos no Japão e também fora do arquipélago. Incluindo o Brasil. Em 2003 esteve fora dos palcos para se tratar de um câncer no pâncreas. Após vencer a doença, o nosso Miyani retornou e se apresentou no evento japonês Anime Fest 2004.

Ah, vale mencionar que ambos já dançaram a dança do siri no SANA 7:





Parabéns ao nosso "tremendão" dos anisongs. ^^



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Prisão de "Ranger Vermelho" de Força Animal não isenta o Japão e digo o porquê

Tá certo que o assassinato em que o ator Ricardo Medina Jr. - o Cole de Power Rangers Força Animal e Deker de Power Rangers Samurai - foi envolvido nos EUA é bárbaro e


inescrupuloso. De uma certa forma há uma preocupação entre os atores e a produção por deixar uma imagem negativa na franquia.

Nestas horas poderiam surgir alguns pretextos e lendas urbanas (noventistas) afirmando que há "influencias negativas e violentas" no meio. Bobagem. Tem lá umas brincadeiras que surgem pelas redes sociais. Nada contra as brincadeiras desde que haja bom senso, claro. O problema mesmo é a confusão que alguns puristas fazem ao arranjar briga com o caso, acreditando que o mesmo não aconteceria com algum ator de séries de Super Sentai ou de algum outro tokusatsu japonês. Será mesmo?

Não esqueçamos que um ator de tokusatsu já foi preso na década passada. Não por assassinato, mas por ter sido acusado por agredir um jovem num caso de extorsão. Foi o caso de Taiyô Sugiura, o ator da série homônima Ultraman Cosmos que esteve atrás das grades em 2002, o que fez com que alguns episódios sofressem cortes. Fora alguns outros artistas além tokusatsu que foram envolvidos em outros escândalos. Tudo foi esclarecido depois e a inocência de Sugiura foi provada.

Poderia acontecer com algum outro ator de tokusatsu? Sem sombra de dúvidas. Ninguém está fora da passividade de cometer um crime. Cada um tem sua consciência e sabe o que é certo e errado. Essa de que ator de Super Sentai é santinho não cola. Se assim for, seria do "pau-oco". São pessoas como eu e você que estão suscetíveis à falhas e virtudes. E isso independe de nacionalidade, cultura e produção. O que parece óbvio virou uma pseudo-santidade que não existe. Pensamento errôneo e perigoso.

Outra coisa: A haterada tem que parar de inventar desculpas pra superexaltar às séries japonesas e seu elenco como "perfeitas", pois não são. A quem insiste em continuar com essa "guerra" estúpida, deixo cinco dicas pra reflexão: 1) Pesquisar mais fatos e inventar menos hipóteses; 2) Um texto sem contexto vira pretexto; 3) No meio do trigo há sempre o joio; 4) Ser solidário com quem sofre (no caso, a família da vítima); 5) Entender que tokusatsu (seja Power Rangers ou não) é apenas um entretenimento da massa comercial que nos diverte e que não se deve deixar subir a cabeça.

Essa xenofobia já deu na goela. Gente, por favor.

Vilões de Gotham são natos ladrões de cena

Os vilões Fish e Pinguim são os melhores personagens da série

Gotham é outra série americana que está se mostrando digna de marcar geração. Apesar de uma ou outra enrolação na trama que não interfere tanto no desenrolar. Mas quem estão roubando mesmo as cenas são os vilões. Não sei você, mas às vezes tenho a impressão de que eles acabam levando o protagonismo numa boa.

No episódio exibido nesta segunda (2) na Warner, Fish Mooney (vilã exclusiva da série) e Oswald "Pinguim" Cobbleplot (dispensa-se comentários, né?) roubaram cena mais uma vez. Isso é coisa que acontece há tempos. Ok. Mas o ápice destes foi maior. A cena em que os dois se confrontam e revelam suas reais intenções foi um marco que tem tudo para desencadear a mudança de rumo da série até o final da temporada. Sem dúvidas, são os melhores vilões da série. A atriz Jada Pinkett Smith e o ator Robin Lord Taylor tem tudo para terem destaque maior na TV ou no cinema por causa destes grandes personagens e seus atritos pelo poder.

Claro que a participação deles não tiram de vez o foco no James Gordon. Que aliás, é muito bem interpretado por Ben McKenzie. Gordon é um elemento importante para Gotham e isso está sendo passado muito bem. Voltando sobre os vilões, Falcone é outra peça chave para a série. Mas, bem pessoal, outro vilão - ou futuramente será - que vem chamando a atenção é o Edward Nygma (a.k.a. Charada). Até aqui eles faz o tipo mocinho "nerd" que trabalha na policia forense, sofre bullying e é apaixonado por sua parceira de trabalho.

Gotham está no final dos primeiros 16 episódios planejados inicialmente. Os outros seis episódios finais podem nos surpreender bem mais do que está no presente momento.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nostalgia: Changeman completa hoje 30 anos

"Esquadrão Relâmpago... Changeman!"

As séries Super Sentai são patrimônios tombados e carimbados na cultura pop japonesa. Mais comumente no ocidente conhecemos a franquia pela suas contrapartes americanas, realizadas por Haim Saban. Mas bem antes do megasucesso noventista Mighty Morphin Power Rangers, um sucesso do gênero de tokusatsu dos esquadrões multi-coloridos originais (do Japão) foi responsável por um fenômeno que, ao lado de Jaspion, abriu as portas para um filão de outras séries japonesas live-action com efeitos especiais no Brasil. Além, é claro, dos animes.

Dengueki Sentai Changeman (Esquadrão Relâmpago Changeman) completa hoje 30 anos de sua estreia no Japão. Tudo começou às 18:00 (JST) do dia 2 de fevereiro de 1985 - sábado - quando a TV Asahi deu continuidade à franquia dos sentais com a mais nova série do gênero da Toei Company, até então. Sucedendo o legado iniciado por Gorenger e seguido por JAKQ (estas duas incluídas na franquia a partir de 1995), Battle Fever J (outrora primeiro Super Sentai), Denziman, Sun Vulcan, Goggle V, Dynaman e Bioman.


Os Defensores da Terra

O trio poderoso de Gôzma: (esq. pra dir.)
 Shima, Giluke e Buba

A série - que originalmente seria chamado como Uchuu Sentai Cosmoman (Esquadrão Espacial Cosmoman) e teria expedições espaciais como tema principal - conta a história de cinco soldados do exercito dos Defensores da Terra que são banhados por uma força misteriosa conhecida como Força Terrestre (Earth Force no original) que emana do nosso próprio planeta. Os jovens foram treinados pelo Sargento (Comandante) Ibuki para combaterem as forças do terrível Gôzma, liderado pelo Rei Estrelar Bazoo (Bazeu; similar ao Espectro Negro de Power Rangers no Espaço).

O quinteto é liderado por Hiryuu Tsurugi/Change Dragon, um ex-jogador de beisebol e destemido em situações de extremo perigo; seguido por Shô Hayate/Change Griphon, o segundo no comando e rival metido a mulherengo; Yuuma Ozora/Change Pegasus, o intelectual com atitudes infantis; Sayaka Nagisa/Change Mermaid, a graciosa "cérebro" da turma; e Mai Tsubasa/Change Phoenix, uma poderosa e valente motoqueira.


Eyecatch de Changeman com ilustração do Change Robô

Para se transformarem, os Changeman erguem os seus Change Brace ao gritarem "Vamos Change!" ("Let's Change!"). Em ação, armam-se com as pistola chamadas Change Fogo (Change Sword) nos modos de tiro e espada-escudo. Sem contar com as poderosas "Zookas", que juntas formam a Power Bazooka (chamada algumas vezes pela nossa dublagem como "Poderosa Bazuca"). Sendo a primeira arma fatal dos Super Sentais contra os monstros da semana. Os heróis também contam com as motos Auto Changers e o carro Change Cruiser. Ah, não podemos nos esquecer do arrimo dos Changeman: o gigante Change Robô. Formado a partir da junção dos veículos-componentes (Jet Changer 1, Helichanger 2 e Landchanger 3) transportados pela nave-mãe Shuttlebase, cujo tinha a Espada Relâmpago (Dengueki Ken) e desferia o mortal Super Thunderbolt.

Já o núcleo do mal, ao lado de Bazoo, o bando é composto pelo medonho General Giluke (Girook), o pirata espacial Buba (Booba), a mulher de voz masculina Shiima, e o navegante Gaata (Gator). Como todo bom grupo maligno de Super Sentai dos anos 80, Gôzma tinha os soldados Hidler (Hidrer) como tropa e o icônico monstro Gyodai que ressuscitava os monstros e os tornava gigantes. Alguns destes monstros serviam a Bazoo por ceder às chantagem do tirano.


A diabólica Rainha Ahames

Hiroko Nishimoto nos
bastidores de Changeman

Mai Ooishi como Mai Tsubasa

Changeman é uma série que possui fluidamente um carisma cativante em cada um de seus 55 episódios para TV e os dois filmes pro cinema. Ora com momentos engraçados e meio infantis, ora com uma considerável carga dramática que prende a atenção de algum telespectador que pode se deparar em qualquer ponto do desenrolar da trama. O que empolga mais na série são as divisões de sagas que surgem com o passar do tempo. Como a aparição da maléfica Rainha Ahames, a rival direta de Giluke que dá baitas dores de cabeça aos nossos heróis. A busca de Nana, uma ser espacial do planeta Tecnolíquel (Rigel) que emana a poderosa força Aura Energética (Aura Rigel), visada e disputadíssima por Giluke e Ahames. São histórias que vão evoluindo e aumentando mais ainda a tensão em torno da trama.


Kazuoki Takahashi, o eterno
 Change Griphon
Os atores principais da série deixaram suas marcas nos tokusatsu. Após Changeman, Haruki Hamada, fez uma considerável participação no episódio 38 de Choujin Sentai Jetman (em 1/11/1991); Shirô Izumi participou rapidamente do episódio 3 de Machineman (27/1/1984) e já também no episódio 18 de Sukeban Deka II (13/3/1986) e esteve nos especiais Kamen Rider World e Super Sentai World (ambos de 1994) como um único personagem chamado Masato. Mas foi em 1992 que se também se destacou em outra série Super Sentai como Burai/Dragon Ranger em Kyoryu Sentai Zyuranger (nada mais e nada menos que a versão original da primeira temporada de Mighty Morphin Power Rangers); Hiroko Nishimoto esteve no episódio 29 de Kamen Rider Black (1/5/1988); e Mai Ooishi esteve nas séries Uchuu Keiji nas séries Sharivan (1983-84) como uma das garotas da Ilha Iga e como a Garota 2 em Shaider (1984; dos episódios 10 ao 35).

Do elenco principal, o talento maior ficou por conta de Kazuoki Takahashi, que deu um misto de drama e comédia por onde passou. Regularmente viveu nas séries de Metal Hero como o canastrão Satoru em Choujinki Metalder (1987-88) e o vilão George Makabe em Tokusou Robô Janperson. Brilhou também no episódio 21 de Choushinsei Flashman (em 26/7/1986) como Miran - o suposto irmão de Sara/Yellow Flash. Além como Aman Negro no episódio 30 de Sekai Ninja Sen Jiraiya (em 14/8/1988), e demais participações nos episódios 14 de Patrine (8/4/1990), 37 de Solbrain (29/9/1991), 32 e 33 de Kamen Rider Kiva (14-21/9/2008). Recentemente, em 5 de fevereiro de 2012, apareceu no episódio 49 de Kaizoku Sentai Gokaiger reprisando como Hayate de Changeman, ao lado de alguns outros veteranos do Super Sentai.


O tema de abertura é um hino eternizado pelo lendário Hironobu Kageyama, que atualmente lidera e é o fundador da banda JAM Project. Em Changeman, Kageyama estreava no cenário tokusatsu cantando vários outros hits eletrizantes do programa. Imortalizou demais temas de abertura e encerramento nos sentais Maskman (também exibido no Brasil pela extinta Manchete) e Jetman (inédito no Brasil). Além de temas de outras séries de tokusatsu como Fiveman, Janperson, Kakuranger, Ohranger, Ultraman Dyna, Gaoranger, Hurricaneger, Abaranger e Garo (onde emprestou a voz ao anel Zaruba). Nos animes, seu nome ficou arraigado pelos títulos Os Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z e Dragon Ball GT.

O demoníaco Super Giluke

As BGMs foram compostas pelo músico Tatsumi Yano, que havia trabalhado também em Bioman. Podemos dizer que estas trilhas sonoras inspiram toda uma nostalgia dos tempos dourados da Manchete. Outro talento que merece ser mencionado é o character designer Yutaka Izubuchi na criação dos vilões. Izubuchi havia contribuído com o mesmo serviço no sentais Dynaman, Bioman e Flashman (série que sucedeu Changeman e também exibida no Brasil). Além de diversos trabalhos em outros tokusatsus e animes como Gundam e Patlabor.

Ah, não poderia esquecer do trabalho dos dublês da JAC (Japan Action Club; atual JAE - Japan Action Enterprise). Os heróis eram formados por Kazuo Niibori (dublê de vários Reds), Koji Matoba (dublê de Jiraiya), Tsutomu Kitagawa (dublê de Godzilla), Masato Akada e Yuichi Hachisuda (o dublê de heroínas e vilãs). Vale ressaltar que esta mesma formação já trabalhou com a respectiva hierarquia de cores nas séries Flashman e Maskman. Destaques também para Hideaki Kusaka (dublês de robôs gigantes e vilões dos Sentais) como Gyodai e Change Robô; e ao grande Yoshinori Okamoto como Buba. Após Changeman, ele sofreu um acidente automobilístico que o impossibilitou de atuar em Flashman. Só voltaria nos episódios finais como Bo Galdan após suas recuperação.


Yoshinori Okamoto, o dublê de 
clássicos vilões dos super esquadrões
No Brasil, Changeman chegou por intermédio do sr. Toshihiko Egashira (Toshi) em 1986 e inicialmente lançado em VHS no ano seguinte pelo selo da distribuidora Everest Vídeo, junto com - o maior tokusatsu original de estrondoso sucesso em nosso país - Jaspion e o anime Comando Dolbuck. Só a partir de 22 de fevereiro de 1988 (segunda-feira), que Jaspion e Changeman estrearam na programação da saudosíssima Rede Manchete. Garantindo sucesso absoluto de audiência e popularidade nos fins de tarde do programa Clube da Criança (apresentado na época por Angélica), e mais tarde com horário alternativo nas manhãs do programa Cometa Alegria (comandados por Cinthya "Biba" Alegria e Patrick "Simba" de Oliveira), Changeman, ao lado do nosso Ginga no Tarzan, rendeu vários brinquedos e produtos ligados ao sentai. Além de um circo show que foi garantia de sucesso por onde passava.

Changeman foi exibido na Manchete até por volta de 1992. Sendo que o último episódio foi exibido cerca de dois anos e meio depois de sua estreia na TV brasileira, em agosto de 1991. Passou também na tela da Record entre 1994 e 1996, pelo bloco Tarde Criança, curiosamente omitindo os primeiros 16 episódios, devido a problemas nas fitas masters. Lá fez sucesso mediano ao lado de Jaspion, Flashman e mais outras séries licenciadas pela italiana Oro Filmes como Goggle V, Machineman e Sharivan. Sem contar que sua última exibição oficial na TV brasileira se deu entre 1997-98 nas manhãs da CNT/Gazeta. Em 2009 foi lançado em DVD pela Focus Filmes, onde não recebeu lá um belo tratamento de luxo que merecia pela empresa de home-vídeo.



E a dublagem clássica da Álamo? Simplesmente maravilhosa. Apesar de sofrer adaptações e alguns erros de tradução, Changeman teve um elenco de primeira linha. Nos primeiros 16 episódios, Paulo Ivo dublou o Change Dragon. Mas foi substituído por Ricardo Medrado (in memorian) que deu uma interpretação ímpar e marcante. Passaram também pelo quinteto as vozes de Carlos Takeshi (que também dublou o próprio Jaspion), Armando Tiraboschi, Neusa Azevedo e Márcia Gomes na ordem hierárquica do grupo. Vale citar também Gilberto "Saga de Gêmeos" Baroli (como Ibuki), Lúcia Helena (como Nana e Aira), Maximira Figueiredo (como Zole), Líbero Miguel (in memorian; interpretando alguns monstros), Borges de Barros (in memorian; como Gaata) e tantos outros. O destaque fica para os saudosos Mário "Seu Barriga" Vilela nas vozes de Buba e Gyodai; e Marcos Lander com as múltiplas facetas de Giluke e Super Giluke onde foi sensacional.

Certamente foi um dos maiores sucessos da Toei e os fãs brasileiros recordam com carinho a série como um cult da geração Manchete. Redobraremos as comemorações dos guerreiros mitológicos para o dia do tokusatsu, em 3 de novembro, junto com Jaspion. Vale a pena relembrar.